|
A - I n f o s
|
|
a multi-lingual news service by, for, and about anarchists
**
News in all languages
Last 40 posts (Homepage)
Last two
weeks' posts
Our
archives of old posts
The last 100 posts, according
to language
Greek_
中文 Chinese_
Castellano_
Catalan_
Deutsch_
Nederlands_
English_
Français_
Italiano_
Polski_
Português_
Russkyi_
Suomi_
Svenska_
Türkçe_
_The.Supplement
The First Few Lines of The Last 10 posts in:
Castellano_
Deutsch_
Nederlands_
English_
Français_
Italiano_
Polski_
Português_
Russkyi_
Suomi_
Svenska_
Türkçe_
First few lines of all posts of last 24 hours |
of past 30 days |
of 2002 |
of 2003 |
of 2004 |
of 2005 |
of 2006 |
of 2007 |
of 2008 |
of 2009 |
of 2010 |
of 2011 |
of 2012 |
of 2013 |
of 2014 |
of 2015 |
of 2016 |
of 2017 |
of 2018 |
of 2019 |
of 2020 |
of 2021 |
of 2022 |
of 2023 |
of 2024 |
of 2025 |
of 2026
Syndication Of A-Infos - including
RDF - How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups
(pt) Italy, FDCA, Cantiere #44 - O Papel do Estado no Conflito Inter-Imperialista -- Lino Roveredo (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Wed, 15 Jul 2026 07:44:20 +0300
Estamos testemunhando uma profunda transformação histórica no papel e na
forma do Estado moderno. Os Estados-nação, que surgiram como resposta à
fragmentação política da Idade Média, constituíram, durante séculos, a
estrutura fundamental para o desenvolvimento do capitalismo. Os
processos de centralização do poder possibilitaram a unificação de
espaços econômicos homogêneos, servindo à formação de mercados nacionais
e à expansão da burguesia. Nesse contexto, o princípio da soberania
estatal e a construção da identidade nacional serviram como ferramentas
políticas essenciais para a organização e estabilização das relações
sociais e produtivas.
O mercado nacional, longe de ser um espaço neutro, configura-se como um
dispositivo político regulado pelo Estado e funcional à consolidação do
poder econômico e social. A relação entre o Estado-nação e o mercado
nacional tende estruturalmente a gerar dinâmicas competitivas entre os
Estados, uma vez que cada um é chamado a garantir as condições para a
acumulação de capital em seu próprio espaço e a projetá-las
externamente. Isso resulta em uma competição sistêmica que, embora
assuma formas historicamente variáveis, incorpora em si a possibilidade
de conflito, inclusive de guerra.
Com o mercado nacional consolidado, a dinâmica da acumulação capitalista
impulsiona a expansão para além das fronteiras estatais. A busca por
matérias-primas, novos mercados e oportunidades de investimento não é
uma contingência, mas uma tendência intrínseca ao processo de
valorização. Nesse sentido, o imperialismo e, em sua fase histórica
inicial, o colonialismo não constitui um desvio, mas sim um
desenvolvimento coerente da relação entre Estado e capital. As
conquistas coloniais, militar e politicamente apoiadas pelos Estados,
fazem parte de uma lógica de expansão das relações capitalistas em
escala global.
Essa dinâmica é particularmente evidente no século XIX, com fenômenos
como a partilha da África, durante a qual as potências europeias
dividiram territórios inteiros entre si. A ideologia da "missão
civilizadora", o apelo ao prestígio nacional e à grandeza do Estado, não
apenas mascara os interesses econômicos, mas contribui ativamente para
sua legitimidade, desempenhando um papel material na construção do
consenso e na organização da dominação.
No contexto contemporâneo, o papel do Estado não está diminuindo, mas
sim sendo reorganizado em uma escala maior. A ascensão de potências como
a China, os Estados Unidos, a Índia e a Rússia sinaliza a consolidação
de formações estatais em escala continental, caracterizadas por uma
forte integração do aparato político, da capacidade produtiva e da
projeção geopolítica. Os Estados-nação não estão desaparecendo, mas
estão sendo progressivamente hierarquizados dentro de um sistema
internacional cada vez mais polarizado, no qual as dimensões
territorial, demográfica e econômica assumem um papel decisivo.
Nesse contexto, a competição entre potências não pode ser reduzida a uma
lógica puramente econômica nem a uma mera "vontade de poder": ambas as
dimensões estão interligadas em estratégias complexas para a reprodução
do poder. As formas contemporâneas de conflito interimperialista tendem
a favorecer métodos indiretos, em que o objetivo não é tanto a aquisição
imediata de recursos, mas a modificação das condições sistêmicas em que
os atores rivais operam. Isso estabelece uma lógica de competição
relativa, na qual o fortalecimento de um ator depende do enfraquecimento
estrutural do outro.
Dessa perspectiva, as tensões envolvendo áreas estratégicas como o Irã
ou a Venezuela também podem ser interpretadas em relação ao controle dos
fluxos globais de energia. A crescente centralidade da China como
principal importadora mundial de petróleo torna esses fluxos uma arena
crucial de competição geoeconômica: Pequim importa aproximadamente 10 a
11 milhões de barris por dia, o equivalente a mais de 70% de suas
necessidades, com uma parcela significativa proveniente do Oriente
Médio. Em vez de estabelecer um controle direto e estável dos recursos,
as estratégias implementadas tendem a produzir condições de
instabilidade e incerteza que impactam os custos, o acesso e a segurança
do abastecimento.
Pontos estratégicos como o Estreito de Ormuz desempenham um papel
crucial, transportando aproximadamente 20% do petróleo mundial e entre
17 e 20 milhões de barris por dia, bem como uma parcela significativa de
gás natural liquefeito. Controlar ou desestabilizar essas passagens não
é apenas de importância regional, mas também uma ferramenta para exercer
pressão sistêmica capaz de afetar o equilíbrio de poder entre as grandes
potências, particularmente aquelas mais dependentes das importações de
energia.
Essas dinâmicas estão interligadas com transformações internas nas
economias capitalistas avançadas. De uma perspectiva materialista, a
desindustrialização e a financeirização devem ser entendidas como
momentos de uma reestruturação mais ampla do capital. Diante das
dificuldades em valorizar a produção, o capital reorganiza a produção em
escala global e, ao mesmo tempo, intensifica o uso de instrumentos
financeiros não como uma alternativa, mas como um complemento a ela.
A financeirização não substitui a produção, mas redefine suas condições,
acentuando a dependência dos processos produtivos em relação às
dinâmicas especulativas e à lógica de curto prazo.
Com o fim do compromisso "social-democrata" entre capital e trabalho,
que assegurava uma redistribuição parcial da riqueza, essas
transformações também se refletem no nível político e institucional. Em
vez de determinarem automaticamente resultados autoritários, elas
redefinem o escopo de atuação dos Estados, restringindo o espaço para a
mediação e intensificando o uso de instrumentos de controle. Neste
contexto, podemos observar tendências para o enfraquecimento das
garantias formais e a crescente gestão do conflito social em termos de
ordem pública, dinâmicas também observadas na Itália sob o governo
liderado por Giorgia Meloni.
De modo geral, surge uma situação em que a competição entre poderes, a
reestruturação do capital e a transformação das estruturas estatais
estão cada vez mais interligadas. As contradições do capitalismo
contemporâneo manifestam-se não apenas no nível econômico, mas também
afetam toda a estrutura política e social, moldando um sistema
caracterizado por crescente instabilidade e conflitos que tendem a se
desenrolar simultaneamente em escala global e interna.
A escalada do conflito entre as potências imperialistas, que traz de
volta ao horizonte a possibilidade concreta de um conflito global, marca
uma transição histórica em que as contradições do capitalismo se
manifestam de formas cada vez mais violentas. Nesse cenário, o
surgimento de um papel direto para a multidão explorada não pode mais
ser adiado: um papel capaz de romper com as mediações dominantes,
reivindicar a linguagem da luta de classes e abordar abertamente a
questão da transformação radical da ordem vigente.
A competição entre diferentes frações do capital embora repleta de
contradições internas continua a ser descarregada sobre os explorados,
alimentando divisões, conflitos e hierarquias que enfraquecem sua
capacidade de resposta. Os oprimidos são, portanto, mobilizados,
colocados uns contra os outros e sacrificados dentro de dinâmicas que
respondem a lógicas de poder e acumulação que os excluem.
Essa fragmentação deve ser combatida por uma ruptura clara: a
reconstrução de uma solidariedade internacionalista entre os explorados,
não como um princípio abstrato, mas como uma prática material de luta.
Somente por meio de processos concretos de organização, conflito e
cooperação pode emergir uma força capaz de combater a intensificação da
dominação, da exploração e da guerra, abrindo a possibilidade real de
superar as relações sociais que as produzem.
https://alternativalibertaria.fdca.it/wpAL/
_________________________________________
A - I n f o s Uma Agencia De Noticias
De, Por e Para Anarquistas
Send news reports to A-infos-pt mailing list
A-infos-pt@ainfos.ca
Subscribe/Unsubscribe https://ainfos.ca/mailman/listinfo/a-infos-pt
Archive http://ainfos.ca/pt
- Prev by Date:
(pt) France, UCL AL #371 - Antifascismo - Eleições Municipais e a Extrema Direita: Mais Prefeituras, Mais Poder? (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
- Next by Date:
(pt) Italy, FAI, Umanita Nova #15-26 - Irã: Manifesto do Primeiro de Maio (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
A-Infos Information Center