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(pt) France, UCL AL #371 - Antifascismo - Eleições Municipais e a Extrema Direita: Mais Prefeituras, Mais Poder? (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]

Date Wed, 15 Jul 2026 07:44:12 +0300


Em março, a extrema direita conquistou mais de 60 prefeituras, um resultado sem precedentes. A Reunião Nacional (RN) foi a principal beneficiária, fortalecendo sua base local. O partido ampliou sua influência, notadamente, em seus redutos na antiga região mineradora de Pas-de-Calais e no sudeste. Mas também conseguiu, pela primeira vez, se estabelecer em cidades do sudoeste e do centro do país. É fundamental para o campo antifascista analisar essa nova etapa da expansão da extrema direita: ela corresponde a um aumento real do apoio ao partido? Quais são as consequências para o quadro institucional? Que lições podem ser aprendidas para as estratégias antifascistas a serem implementadas no próximo ano?

À primeira vista, a vitória da RN e do restante da extrema direita é inegável. Na grande maioria dos municípios onde já detinha o poder, os prefeitos da Reunião Nacional (RN) foram reeleitos com ampla maioria no primeiro turno. Ciotti, representante da RN, venceu em Nice, a segunda cidade com mais de 100.000 habitantes governada pela extrema-direita, depois de Perpignan. O partido triplicou o número de municípios que controlava, passando de cerca de vinte para mais de cinquenta, e conquistou prefeituras que eram redutos da esquerda social-democrata ou comunista, como Vierzon, no departamento de Cher, e La Flèche, no departamento de Sarthe. Também se consolidou em diversas cidades de médio porte no Sudoeste (Castres, Carcassonne, Montauban, etc.) e perdeu por pouco no segundo turno em muitas outras, como Tarbes, Douai e Lens. Mas, para além da Reunião Nacional (RN), também estamos a assistir, ainda que esporadicamente e de forma preocupante, à ascensão de uma extrema-direita abertamente radical em algumas cidades: nomeadamente Sarah Knafo em Paris, membro do Reconquête!, com 10% dos votos (principalmente em bairros abastados), ou Harfleur (76), onde um candidato do micropartido conspiratório de Florian Philippot conquistou a cidade aos comunistas. Ainda mais alarmante é Segré-en-Anjou-Bleu, onde Jean Eudes Gannat, antigo membro do grupo Alvarium em Angers e influenciador neofascista, foi eleito vereador e obteve mais de 21% dos votos. A nível nacional, o número total de votos para a extrema-direita na primeira volta das eleições aumentou 30% desde 2014, atingindo 1,6 milhões de votos[1].

Em Estrasburgo, a lista "Strasbourg c'est nous" (Estrasburgo somos nós) causou bastante alvoroço nos círculos da extrema-direita com seus panfletos em árabe, turco e alsaciano. Além disso, era representada por Cem Yoldas, ex-membro da Guarda Jovem Antifascista. Por necessidade de proteger seus colegas candidatos da violência da extrema-direita, Cem Yoldas retirou sua candidatura em fevereiro. (Foto: Rouge/Alexandre)
A extrema-direita ainda não é hegemônica.
Em última análise, essas eleições não são mais um passo vitorioso da Reunião Nacional (RN) rumo ao poder? Se olharmos além das declarações da própria extrema-direita, a realidade é mais complexa. Em primeiro lugar, porque, embora a extrema-direita tenha conquistado algumas prefeituras, também perdeu outras, notadamente Villers-Cotterêts (Oise) e Bollène (Vaucluse). A RN também fracassou em Nîmes, contra um candidato comunista, e em Toulon, onde sua candidata, Laure Lavalette, era a favorita. Em Marselha, Franck Allisio, após a desistência do candidato da LFI, perdeu decisivamente para o Partido Socialista. Nessas três cidades, com suas populações socialmente diversas, observou-se que ainda existia resistência eleitoral à extrema-direita, um sinal de que a normalização midiática do tema não foi totalmente alcançada em nível local, mesmo quando os líderes dos Republicanos se mostram cada vez mais simpáticos ao fascismo.

Rachida Dati, candidata republicana à prefeitura de Paris, foi apoiada no segundo turno por Jordan Bardella e Sarah Knafo.

Em geral, o número de listas que a Reunião Nacional (RN) conseguiu apresentar permaneceu praticamente o mesmo que em 2014, e o número de prefeituras conquistadas pela extrema-direita permaneceu relativamente marginal em comparação com a esquerda tradicional (828 municípios) ou a direita (1.267 municípios) em um total de quase 35.000 municípios[2]. Acima de tudo, embora a Reunião Nacional (RN) tenha conquistado algum espaço, seus ganhos eleitorais se concentram onde ela já possui forte presença, e sua influência geral permanece altamente instável: está em declínio, chegando a desaparecer, particularmente nas principais áreas urbanas, nos subúrbios de Paris e até mesmo em certos departamentos onde inicialmente obteve sucesso nas eleições municipais, como Eure. Por fim, a RN permanece praticamente inexistente em grande parte do país[3].

Fortalecimento da solidariedade e da resistência antifascista

Outro fator que coloca a importância destas eleições em perspectiva é a enorme taxa de abstenção, superior a 57%. Esta abstenção favorece a reeleição no primeiro turno, tal como as elevadas percentagens da Reunião Nacional (RN), cujo eleitorado se encontra mais mobilizado do que outros partidos. Além disso, esta taxa de abstenção, que já não está a diminuir, está ligada à erosão democrática em curso das instituições municipais: enfraquecidas por fusões administrativas, controladas por prefeitos e com muito pouca autonomia financeira e política, as municipalidades são agora as mais desfavorecidas no que toca às instituições representativas, num clima geral de autoritarismo[4].

Podemos, portanto, colocar em perspectiva a ascensão inegável da extrema-direita e a intensidade da sua expansão. Contudo, não devemos negligenciar nem minimizar o seu alcance: territórios cada vez maiores encontram-se sob o controlo da Reunião Nacional. Mesmo com poderes limitados, esses prefeitos implementarão a fórmula que, na maioria dos casos, garante a estabilidade da Reunião Nacional: silenciar a oposição quando ela existe, retirar subsídios de organizações de direitos humanos ou consideradas "pró-imigração", suprimir a cultura, implementar políticas de segurança e fomentar um clima racista e estigmatizante para as minorias.

Acima de tudo, com 3.000 vereadores, a Reunião Nacional poderá influenciar mais fortemente outra instituição "democrática": o Senado, cujas eleições suplementares estão marcadas para setembro e onde, graças aos seus representantes eleitos, a Reunião Nacional poderá, pela primeira vez, garantir cerca de dez senadores.

Diante desse crescente ímpeto, os antifascistas de base, embora tenham lançado iniciativas (como as campanhas "Ciao Facho!" ou "Éputons la flamme"), ainda não têm alcance suficiente para obter visibilidade nacional, particularmente para restabelecer e sustentar uma contranarrativa em áreas atualmente controladas pela Reunião Nacional. Estão sendo desenvolvidas ferramentas, principalmente a Iniciativa Sindical de Vigilância e Antifascista (VISA), visto que os sindicatos muitas vezes permanecem como os últimos instrumentos de resistência nos municípios da Reunião Nacional (RN), e seus membros são sujeitos à repressão[5]. Faltando menos de um ano para as eleições presidenciais, ainda é possível e urgente investir, construir e fortalecer a resistência antifascista.

Hugues (UCL Fougères)

Submeter

[1]"A ascensão de um candidato neofascista nas eleições municipais causa espanto em Maine-et-Loire", Le Monde, 2 de abril de 2026.

[2]"Câmaras municipais, para sempre impotentes?" "QED", 7 de março de 2026.

[3]"Eleições Municipais de 2026: Lições do Segundo Turno em Gráficos", Le Monde, 23 de março de 2026.

[4]"Eleições Municipais de 2026: O Mapa que Coloca os Ganhos Eleitorais da Reunião Nacional em Perspectiva", Les Échos, 18 de março de 2026.

[5]"Não à Repressão Antissindical em Hénin-Beaumont!" Tribune du Club de Mediapart, 10 de novembro de 2025.

https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Municipales-et-extreme-droite-Toujours-plus-de-mairies-toujours-plus-de-pouvoir
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