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(pt) Italy, FAI, Umanita Nova #15-26 - Irã: Manifesto do Primeiro de Maio (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Wed, 15 Jul 2026 07:44:26 +0300


Publicamos a declaração do Primeiro de Maio divulgada em seus canais pela Frente Anarquista, uma rede de anarquistas originários do Irã e do Afeganistão, atuantes em seus respectivos países ou na diáspora. -- Frente Anarquista ---- O Primeiro de Maio não é apenas uma comemoração histórica, mas o despertar de uma tradição viva de luta de classes, solidariedade internacional, reflexão sobre a natureza do trabalho e a busca pela libertação da autoridade e dominação do capitalismo, bem como de todas as formas de Estado e parlamento. Para os trabalhadores, este dia é uma oportunidade para refletir sobre formas de organização, poder coletivo e horizontes alternativos para além da "ordem vigente".

O Primeiro de Maio é mais do que um aniversário simbólico; é uma oportunidade para refletir sobre o cotidiano de milhões de trabalhadores que vivem sob a pressão da inflação, da insegurança no emprego e das restrições à liberdade de organização. A questão não se resume a "aumentos salariais", mas a pergunta central é: quem decide sobre o trabalho, a produção e a vida?

O Primeiro de Maio não é apenas sobre "aumentos salariais", mas a questão central é: quem decide sobre o trabalho, a produção e a vida? O mundo atual é caracterizado por múltiplas crises crônicas, incluindo a falta de liberdade, igualdade e justiça, instabilidade no emprego, degradação ambiental, guerras, autoritarismo e crescente dominação.

O capitalismo contemporâneo, baseado na financeirização e na fragmentação do trabalho e das cadeias de suprimentos globais, consolidou novas formas de exploração. O "trabalho" tornou-se cada vez mais fragmentado, precário e instável, enquanto o controle e a vigilância sobre os trabalhadores se intensificaram.

Nessas condições, os sindicatos burocráticos, juntamente com as instituições hierárquicas e representativas, muitas vezes não conseguem atender às reais necessidades e interesses da classe trabalhadora. Muitas dessas instituições foram integradas às estruturas do capitalismo de Estado ou se contentam com negociações limitadas dentro da ordem estabelecida.

O anarquismo argumenta que a libertação dos trabalhadores do jugo do capitalismo não se alcança por meio da representação parlamentar, mas sim por meio da auto-organização horizontal e da democracia direta. Conselhos, assembleias gerais e sindicatos independentes só podem se tornar forças reais quando emergem da base, são responsáveis por suas ações e estão livres de todas as formas de hierarquia e burocracia. Nas últimas décadas, a globalização do capital, combinada com a privatização, a desregulamentação e a flexibilização do mercado de trabalho, levou ao aumento da insegurança no emprego e ao enfraquecimento das organizações operárias. O trabalho precário, informal e baseado em plataformas digitais tornou-se a norma, e as divisões de classe se aprofundaram em muitos países. Esses processos não são "desvios", mas o funcionamento natural do sistema, no qual o lucro tem prioridade sobre o bem-estar geral.

Ao contrário das perspectivas reformistas que veem o Estado como uma força reguladora e protetora dos trabalhadores, o anarquismo o considera uma instituição que, em última análise, mantém a ordem capitalista, mesmo quando expressa em termos de bem-estar social. Leis trabalhistas, salários mínimos e seguros podem ser uma ajuda de curto prazo, mas frequentemente operam dentro de estruturas que reproduzem a própria desigualdade.

No Irã, os trabalhadores enfrentam uma combinação de crises estruturais e repressão política, inflação crônica, salários abaixo da linha da pobreza, privatizações controladas, emprego precário e severas restrições à organização livre e independente. Qualquer tentativa de formar sindicatos ou organizar greves é recebida com dura e brutal repressão pelas forças de segurança e pelo judiciário.

Apesar disso, diversas formas de resistência operária têm surgido nos últimos anos, como greves entre trabalhadores da indústria e protestos de motoristas, enfermeiros, professores e aposentados. Além disso, redes de solidariedade e ajuda mútua têm se formado entre trabalhadores, mulheres, comunidades étnicas, grupos ambientalistas, estudantes, pessoas LGBTQ+ e outros. Esses movimentos, embora fragmentados e sob pressão, demonstram que possibilidades de auto-organização e autogestão estão gradualmente emergindo das brechas na atual ordem opressiva.

Nessa tradição, as greves, especialmente as greves gerais, não são apenas ferramentas para exigir ações, mas exercícios de autogestão social. Através da luta, os trabalhadores aprendem a organizar coletivamente a produção e a reprodução da vida, uma habilidade que pode lançar as bases para uma nova ordem social libertária.

Experiências dispersas de conselhos operários, cooperativas autogeridas e iniciativas locais de autoajuda em todo o mundo, inclusive no Irã, demonstram que existem oportunidades reais para a organização horizontal, mesmo em condições difíceis.

A proliferação de contratos por prazo determinado e empresas terceirizadas colocou os trabalhadores em uma situação de insegurança no emprego e falta de poder de negociação. Em setores como petroquímica, construção de estradas e serviços municipais, os trabalhadores terceirizados enfrentam atrasos salariais, jornadas exaustivas e completa falta de proteção. Isso não é uma falha, mas sim um meio de controle e enfraquecimento da organização.

Exemplos como o complexo açucareiro de Haft Tappeh, no Irã, e algumas unidades industriais privatizadas demonstram que a privatização, na prática, leva a cortes salariais, atrasos nos pagamentos e redução da produção. Em resposta, os trabalhadores organizaram protestos, greves e até propuseram ideias de "gestão por conselhos" para retomar o controle das mãos de uma gestão ineficiente e voltada para o lucro.

Encontramo-nos, em muitos aspectos, em um momento histórico delicado, mas a luta de classes entre trabalhadores e capitalistas nunca cessou. Dessa perspectiva, a comemoração do Primeiro de Maio ganha significado quando vinculada a uma ampla ação coletiva por meio da realização de assembleias gerais, da apresentação de reivindicações comuns, da criação de fundos de ajuda mútua e do fortalecimento de redes horizontais.

Nesse contexto, a abordagem anarquista-sindicalista, em vez de se apoiar no Estado, no parlamento, nos partidos políticos ou nas elites, enfatiza a auto-organização:

conselhos de trabalho e comunitários como unidades horizontais de tomada de decisão;
controle operário sobre a produção em vez de controle burocrático ou estatal-privado;
redes cooperativas de ajuda mútua para reduzir a dependência do mercado e do Estado;
greves e ações diretas como meios de pressão de baixo para cima.

O objetivo não é apenas "reformar" as condições de trabalho, mas transformar as relações sociais relacionadas à produção e ao poder. A libertação dos trabalhadores não se dá por meio das promessas do Estado e do parlamento, mas sim por meio da auto-organização horizontal (sem hierarquia) e da reapropriação do controle sobre suas próprias vidas.

O Dia do Trabalhador no Irã também nos lembra que os trabalhadores enfrentam não apenas uma crise de subsistência, mas também limitações na definição de suas próprias condições de trabalho. Ao mesmo tempo, por meio de greves, redes informais e práticas de solidariedade, podemos observar indícios da possibilidade de organização horizontal e autogestão. No entanto, a questão fundamental permanece: como transformar essas experiências, de reações temporárias e limitadas, em estruturas amplas e sustentáveis para a gestão coletiva do trabalho e da vida?

Viva a solidariedade global dos trabalhadores!

Viva o anarquismo!

Não ao mulá! Não ao xá! Não à guerra!
Mulher-Vida-Liberdade!

Maio de 2026

https://umanitanova.org/iran-manifesto-del-primo-maggio/
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