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(pt) NZ, Aotearoa, AWSM: Polar Blast - Classe, Trabalho e a Liberdade de Não Ser Explorado (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Wed, 27 May 2026 07:56:34 +0300


Qualquer abordagem anarcocomunista da liberdade deve lidar seriamente com a análise de classe que está no cerne da tradição. A liberdade não é apenas uma questão filosófica, mas também material. Quem possui o quê? Quem trabalha para quem? Quem tem o poder de compelir o trabalho e quem é compelido? Essas questões não são incidentais à liberdade; elas a constituem. A relação salarial é uma relação de liberdade, ou melhor, é uma negação sistemática da liberdade disfarçada de troca voluntária. A análise anarcocomunista clássica de classe não é idêntica à marxista, embora haja sobreposição substancial. Os anarcocomunistas geralmente compartilham a identificação de Marx da exploração como o cerne das relações sociais capitalistas, a apropriação pelo capital da mais-valia produzida pelo trabalho. O que eles tenderam a resistir foi ao privilégio marxista do proletariado industrial como o único sujeito revolucionário e, ainda mais fortemente, à conclusão marxista-leninista de que a libertação exige a tomada do poder estatal por um partido de vanguarda que atue em nome da classe trabalhadora.
Para Bakunin, e este era o cerne de sua famosa disputa com Marx, o Estado não era um instrumento neutro que pudesse ser capturado e usado para fins libertadores. Era uma estrutura de dominação em si mesma, e qualquer revolução que transferisse o poder estatal de uma classe para outra, deixando o Estado intacto, produziria uma nova classe dominante: os administradores, os funcionários do partido, a vanguarda revolucionária, que haviam se apoderado da máquina de dominação e agora a exerciam em nome do povo. A história, argumentou Bakunin com considerável perspicácia na década de 1870, confirmaria essa análise, que a ditadura do proletariado se tornaria a ditadura sobre o proletariado.
A teoria anarco-comunista da liberdade em relação à classe não se refere apenas ao conteúdo do que é exigido, a abolição da exploração, a socialização dos meios de produção, o fim do sistema salarial, mas também à forma pela qual a libertação é buscada. Não se pode alcançar a liberdade por meios não livres. Um partido hierárquico que comanda um movimento de massas disciplinado de cima para baixo não pode produzir uma sociedade livre de baixo para cima. Um Estado que nacionaliza a produção e dirige a vida econômica não pode produzir a livre associação de produtores que o comunismo genuíno exige. A forma da luta deve prefigurar a forma da sociedade que ela visa construir.
É por isso que os anarco-comunistas historicamente investiram tanto nas formas de auto-organização da classe trabalhadora, como o sindicato revolucionário, o conselho operário, a assembleia popular, a comuna. Essas não eram meramente formas táticas, mas tentativas de construir a infraestrutura de uma sociedade livre dentro da estrutura da antiga e de praticar o tipo de autogoverno horizontal, coletivo e não hierárquico que uma sociedade comunista livre exigiria. Os anarquistas espanhóis da CNT-FAI, nas coletivizações de 1936-1937, não lutavam simplesmente por melhores salários; buscavam reorganizar a produção com base em princípios genuinamente livres e comunitários, demonstrando na prática que os trabalhadores não precisavam de patrões, que as comunidades não precisavam de polícia e que as pessoas eram capazes de se autogovernar sem a mediação da autoridade.
A liberdade exigida pelo anarco-comunista é, portanto, em relação ao trabalho e à classe, abrangente: liberdade da exploração (o fim do sistema salarial e da socialização da produção), liberdade da alienação (o retorno ao trabalhador da verdadeira propriedade e do significado de seu trabalho), liberdade da coerção econômica (a garantia de que a sobrevivência de ninguém dependerá de sua disposição em se submeter à autoridade de outrem) e liberdade de participar de forma significativa nas decisões coletivas que moldam a vida econômica e social. Este não é um programa modesto. É uma exigência de reorganização de toda a base da existência social.

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