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(pt) Spaine, Regeneracion - Casos Isolados? Terrorismo de Extrema Direita Por LIZA (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Sun, 19 Jul 2026 07:13:57 +0300
Episódio 1: Cain Clark e Caleb Vazquez - Os Atiradores da Mesquita de
San Diego --- Introdução a Casos Isolados? ---- Há algum tempo, escrevi
um artigo chamado A Modernização da Direita Radical (Parte 1 e Parte 2),
que pode ser obtido - em eventos da Liza - em formato de fanzine,
juntamente com um guia gráfico para identificar símbolos da extrema
direita. Nele, tentei explicar como certos processos de radicalização
não ocorrem mais exclusivamente por meio de partidos, organizações
formais ou ideologias fechadas. Uma parcela da violência extremista
contemporânea circula em espaços mais difusos: fóruns, servidores
privados, canais, contas anônimas, memes, manifestos reciclados e
comunidades online onde jovens isolados aprendem a interpretar a
violência como identidade.
Sumário
Introdução a Casos Isolados?
O Ataque
Manifestos e Imitadores
"Ongezellig" e Nichos Culturais
Próximo Episódio
Esta série, Casos Isolados?, foi criada para analisar ataques
específicos que escalaram do ambiente virtual para a violência física. O
objetivo não é centralizar a atuação dos perpetradores, mas sim observar
padrões: símbolos compartilhados, referências cruzadas, estética
similar, fascínio por agressores anteriores e o desejo de reconhecimento
dentro de comunidades extremistas. Quando diversos casos compartilham
linguagem, códigos e formas de se apresentar ao mundo, a questão deixa
de ser simplesmente se são incidentes isolados. Devemos também nos
perguntar o que os conecta.
O termo que vem aparecendo com frequência crescente é "Extremismo
Violento Niilista", ou EVN. Em casos como o de San Diego, ele não
descreve uma ausência total de ideologia, mas sim uma mistura
fragmentada de neonazismo, supremacia branca, islamofobia,
antissemitismo, misoginia, aceleracionismo e cultura digital de nicho.
Trata-se de um extremismo memético, instável e difícil de detectar se
analisado apenas com categorias tradicionais.
O ataque
Em 18 de maio de 2026, Cain Clark, de 17 anos, e Caleb Vazquez, de 18,
atacaram o Centro Islâmico de San Diego. As autoridades os identificaram
como suspeitos do ataque e investigaram o caso como um possível crime de
ódio. Segundo relatos iniciais, ambos compartilhavam hostilidade contra
diversos grupos religiosos e raciais.
Antes do ataque, houve um sinal de alerta. A mãe de um dos suspeitos
ligou para a polícia relatando o desaparecimento do filho, a
possibilidade de suicídio, o sumiço de armas e o fato de ele ter levado
um veículo. Ela também indicou que ele poderia estar acompanhado por
outro jovem. Horas depois, chegaram ligações de emergência do centro
islâmico.
As vítimas foram Amin Abdullah, um segurança do centro; Nader Awad, um
morador local cuja esposa trabalhava na escola anexa ao complexo; e
Mansour Kaziha, um dos membros mais antigos e assíduos da mesquita.
Abdullah, pai de oito filhos, foi identificado pela polícia como
figura-chave na mobilização inicial e por ter permitido que outros se
abrigassem. Havia aulas no complexo naquele dia, com aproximadamente 140
alunos presentes.
Segundo as autoridades, Clark e Vazquez se conheceram online e depois
descobriram que moravam na mesma região. Essa transição de uma conexão
digital para um encontro físico é fundamental para o caso. A
investigação recuperou escritos, dispositivos e materiais relacionados
ao ataque, incluindo um manifesto de 75 páginas atribuído a ambos os
jovens e um vídeo que circulou online.
Manifestos e imitadores
O padrão é claro: manifesto, gravação, simbolismo, referências a
agressores anteriores e o desejo de deixar uma marca digital. Nesse tipo
de violência, esses elementos não funcionam apenas como expressão
pessoal. Eles também são direcionados a um público específico: usuários
que entendem os códigos, arquivam os materiais e os incorporam em uma
cadeia de imitações.
O manifesto atribuído a Clark e Vazquez continha racismo, islamofobia,
antissemitismo, supremacia branca e referências à teoria da conspiração
da "Grande Substituição". Em vez de um texto original, seguia um modelo
já visto em outros ataques. Brenton Tarrant ocupa um lugar central nessa
cultura de imitação.
Após Christchurch, outros perpetradores copiaram partes de seu modelo.
Payton Gendron adaptou essa fórmula para uma geração mais jovem, moldada
por fóruns, memes, gráficos, documentação obsessiva e consumo constante
de propaganda. Os padrões observados nessas situações incluem:
a "Sonnenrad",
Escrevendo sobre armas,
estética militarizada
Registre o ataque.
A encenação também fazia parte da mensagem. Os relatos mencionam roupas
camufladas, símbolos neonazistas e supremacistas brancos, mensagens
escritas em armas e a intenção de gravar o ataque. Esses elementos
remetem a um repertório visual usado por outros atacantes. Também
aparecem referências ao aceleracionismo militante e a grupos como a
"Atomwaffen Division", um movimento neonazista que defendia a violência
descentralizada como meio de acelerar o colapso social.
«Ongezellig» e nichos culturais
Um dos elementos mais distintivos do caso é a presença de "Ongezellig",
uma série de animação holandesa independente criada pelo Studio Massa.
No material atribuído aos atacantes, a série não aparece como uma
referência casual, mas sim como parte de uma identidade subcultural.
Seus personagens e memes foram reinterpretados em espaços nacionalistas,
incels, pessimistas e de cultos a atiradores em escolas. A série não
explica o ataque, mas ajuda a compreender o ecossistema cultural em que
esses jovens circulavam: fóruns de imagens, humor niilista, rejeição da
cultura dominante e a apropriação de personagens alheios como códigos
internos.
O caso também foi interpretado em relação aos ambientes associados ao
The Com e ao 764. Esses nomes não designam uma única organização, mas
sim redes e subculturas sobrepostas onde aliciamento, exploração,
chantagem, cultos de assassinos, satanismo estético, neonazismo,
automutilação e pressão dos pares podem se cruzar. San Diego é mais um
exemplo de radicalização juvenil online, acesso a armas, ódio religioso
e racial, glorificação de assassinos, apropriação de memes e possível
contato com subculturas de NVE (extremismo não violento). A
interpretação mais útil não é escolher entre "neonazismo" ou "niilismo",
mas entender como ambas as dimensões podem se sobrepor. A ideologia
fornece inimigos, símbolos e justificativas. O niilismo e o
aceleracionismo contribuem com desprezo pela vida, fascínio pelo dano e
desejo de colapso.
Próximo episódio
No próximo episódio, viajamos para a Noruega, em 2011. Lá, surge uma
figura que muitos atacantes subsequentes estudariam, copiariam ou
tentariam superar: Anders Behring Breivik. Para entender como um
massacre pode se tornar um ponto de referência, precisamos retornar
àquele verão. E a um manifesto que não permaneceu enterrado com suas
vítimas.
Don Diego de la Vega, militante de Liza.
https://regeneracionlibertaria.org/2026/07/12/casos-aislados-terrorismo-ultra/
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