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(pt) Italy, FAI, Umanita Nova #16-26 - "O poder ainda não nos corrompeu." Louise Michel - uma filósofa por mês (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Sat, 20 Jun 2026 07:17:48 +0300
"É verdade que as mulheres amam a revolta. Não somos mais dignas do que
os homens, mas o poder ainda não nos corrompeu." - Louise Michel nasceu
em 1830 e morreu em 1905. Foi professora, escritora, comunarda e
revolucionária francesa que se tornou anarquista, por sua própria
admissão, durante seu exílio forçado na Nova Caledônia: "O poder é
amaldiçoado, e é por isso que sou anarquista". Comunarda, porque naquela
Paris que em 1871 testemunhou a realização da primeira grande
experiência de autogoverno contemporâneo, a Comuna, Michel desempenhou
um papel de liderança que lhe custaria um julgamento, uma condenação e,
em seguida, sete anos de exílio.
Michel chegou a Paris em 1856, após uma juventude passada no interior,
educada por sua tia católica e seus avós liberais iluministas, estudando
como governanta e desenvolvendo uma mente cada vez mais independente. Em
Paris, ela encontrou uma cidade em crise, ainda se recuperando da
derrota de Sedan e da subsequente transição - ou melhor, retorno - do
Império para a República. Após outros eventos e convulsões históricas e
políticas, depois que algumas esperanças se provaram ilusões,
materializou-se a experiência de autogestão libertária-socialista que
foi a Comuna. Nesse contexto, Michel estava na companhia de muitas
outras mulheres, igualmente ativas e militantes, frequentemente
ofuscadas pelo poder masculino da própria Comuna: "As mulheres não se
perguntavam se algo era impossível; bastava que fosse útil, e elas
conseguiam levar adiante".
Ação como prioridade, portanto. Ação como prática política. Mas também a
capacidade de olhar além do horizonte do possível. Michel escreve sobre
si mesma: "Minha existência é composta de duas partes muito distintas.
Elas formam um contraste completo: a primeira, toda sonho e estudo; a
segunda, repleta de acontecimentos, como se as aspirações do período de
calma tivessem ganhado vida no período de luta". Em uma análise mais
atenta, sua luta também contém seu sonho.
Louise Michel foi uma anarquista antiespecista que hoje chamaríamos de
interseccional, e para dar uma ideia da magnitude de seu sonho e de sua
luta, reproduzo uma conversa com Pietro Gori, transcrita pelo próprio
Gori no prefácio de A Comuna, a célebre obra de Michel.
Os dois se encontraram pela primeira vez em uma reunião de dissidentes
políticos realizada em Londres no inverno de 1894-1895. Gori chegou à
reunião, acompanhado por Kropotkin e outros, enquanto Michel discursava.
No prefácio mencionado, Gori descreve em detalhes a aparência (...) e o
temperamento de Michel: "Nunca me esqueci de sua atitude naquela noite,
nem daquela aparente contradição entre seu orgulho rebelde e sua piedade
de freira[...], uma aparente contradição,[...]já que cada explosão de
revolta nela nada mais era do que uma exacerbação de seu espírito de
caridade universal, ofendido por uma injustiça que testemunhara.[...]Ela
odiava apenas por amor em excesso."
Algumas páginas depois, após relatar algumas anedotas do cotidiano em
que Michel defende animais não humanos da intimidação por parte de
alguns humanos, Gori retoma o confronto entre ele e Michel, voltando-se
para o tema da diferença (que se transforma em abuso) entre as espécies.
"Ah, seres inferiores, esse é o pretexto para toda dominação!...
Inferiores por quê? Por que outros, mais violentos ou mais astutos,
conseguiram subjugá-los ou matá-los?... Ou não são moralmente inferiores
aqueles que constroem sua própria felicidade sobre a infelicidade
alheia, devorando, explorando e escravizando?... Vocês me responderão
com a dura lei da seleção, com o triunfo do mais apto, com o império do
mais forte. Mas eu conheço outra lei, que não é de opressão ou morte,
mas de liberdade e vida: a da solidariedade... Vocês se deleitam com
aves assadas no espeto, e eu prefiro o trinado do pintassilgo, cantando
ali, naquela árvore, a todos os discursos de vocês, advogados...
Diferentes, sim, inferiores, não..."
"Mas entre a humanidade e outras espécies zoológicas..." arrisquei.[Gori]
"Bem[...]é precisamente porque a humanidade queria pisotear outros
seres, que vocês chamam de inferiores, que ela se viu treinada para se
enfurecer e se autodestruir. As raças inferiores, as classes inferiores,
o sexo inferior, que vocês zombeteiramente chamam de gentios - essa é a
mesma classificação transferida do reino animal para o humano... Mas a
luta, vocês dirão, foi a condição de todo progresso... Sim, mas eu não
amo a luta pela luta em si; eu só a quero para que, dela, em vez de
antagonismo, possa surgir a fraternidade de todos os seres..."
Eis aí a interseccionalidade.
Se.
https://umanitanova.org/il-potere-non-ci-ha-ancora-corrotte-louse-michel-una-filosofa-al-mese/
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