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(pt) Italy, FAI, Umanita Nova #16-26 - Combustível para a Guerra. A Linha Vermelha do Capital: Sangue, Petróleo e Cumplicidade Italiana (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Fri, 19 Jun 2026 08:16:33 +0300


Existe uma linha invisível que cruza o Mediterrâneo, mas ela não consta nos comunicados oficiais nem nas reportagens dos jornais burgueses que falam sobre a democracia da elite branca. É uma linha vermelha traçada com sangue e petróleo bruto, uma teia de fluxos globais de energia que conecta campos petrolíferos distantes, refinarias locais e cenários de extermínio. É a estrutura logística do capital que alimenta sua insaciável sede de poder por meio de ecocídios e genocídios, esmagando tudo em seu caminho rumo ao abismo da humanidade.

Em 25 de abril, encontrei-me na Sicília com Leandro Lanfredi, operário da indústria petroquímica e diretor do sindicato Sindipetro-RJ e da FNP no Rio de Janeiro, que se preparava para embarcar rumo a Gaza com a Flotilha Global Sumud e logo foi sequestrado em Creta pelo Estado de Israel. Ele me forneceu dados do Instituto Palestino para a Estratégia Climática, um importante projeto de pesquisa ativista que rompe o véu da invisibilidade. Esses dados mostram que a Itália não é uma observadora neutra, mas sim um centro vital na circulação de combustíveis fósseis para o sistema energético israelense. Essas investigações revelam o papel da Vitol (a gigante nas sombras), a maior comercializadora independente de petróleo do mundo. Com receitas de US$ 343 bilhões em 2025 e movimentando 8 milhões de barris por dia, a Vitol controla uma participação de mercado maior do que a soma das necessidades da França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido. Ela não é uma intermediária; é uma infraestrutura global de dominação. Desde 2020, esse polvo enviou aproximadamente 21 milhões de barris (2.890 quilotons) para as artérias vitais de Israel, como a Companhia de Oleodutos Eilat-Ashkelon e a refinaria de Bazan.

Em 2026, enquanto as tensões geopolíticas restringem o fornecimento, a Vitol e seus 400 parceiros, protegidos por uma estrutura opaca entre Luxemburgo e Suíça com impostos exorbitantes de 14%, não estão sofrendo com a crise, mas sim gerenciando-a. Eles organizam os fluxos de forma que o lucro nunca pare, nem mesmo diante de corpos mutilados.

Nesse contexto, a Itália participa ativamente de uma cadeia de suprimentos que transforma, distribui e reexporta energia. Não há provas lineares que liguem cada remessa ao uso militar, mas há um fato estrutural: a plena integração da Itália em um sistema que também alimenta conflitos. Os dados mostram um sistema energético global integrado, empresas como a Vitol com enorme poder e uma Itália perfeitamente integrada a essa rede. Declarações oficiais falam de paz, mas os fluxos materiais contam uma história diferente.

Entre junho e julho de 2025, dezenas de milhares de toneladas de derivados de petróleo passaram por nossos portos. Entre 2022 e 2026, aproximadamente 13 milhões de barris de petróleo bruto brasileiro foram extraídos e vendidos a Israel via Vitol, contornando boicotes de trabalhadores. Em fevereiro de 2026, a Vitol realizou o primeiro carregamento confirmado de 200 mil barris de petróleo bruto venezuelano para Israel, com trânsito pela refinaria de Saras, na Sardenha, apesar dos protestos sindicais.

O governo liderado por Giorgia "Camisa Negra" Meloni reitera seu claro apoio político ao massacre, com Benito La Russa personificando um atlantismo rígido que jamais questiona a infraestrutura da capital. Mas parar na direita seria um erro ingênuo. O Partido Democrático, durante seus anos no governo, garantiu a mesma continuidade: os nomes dos "Camisas Negras" mudam, mas o papel da Itália como engrenagem na máquina de guerra permanece inalterado.

Mas essa supremacia colonial e impunidade não são exclusivas dos dias de hoje; elas têm origens distantes e nunca cessaram; simplesmente mudaram de pele. Enquanto a Europa branca celebrava o fim do nazifascismo em maio de 1945, as mesmas potências "libertadoras" continuavam a massacrar vidas na Argélia, Eritreia e Senegal. Em 8 de maio de 1945, enquanto celebrações aconteciam em Paris, o exército francês massacrou milhares de civis que reivindicavam a independência em Sétif e Guelma. Devemos lembrar que a verdadeira resistência antifascista ao invasor começou em 1935 na Etiópia, contra a agressão militar fascista que usou gás venenoso contra um povo livre. Essa guerra de guerrilha, que continuou mesmo após a proclamação do império, nos ensina que não há diferença entre o colonialismo de Mussolini e o sistema extrativista que hoje deixa Abya Yala sem recursos para abastecer os bombardeiros em Gaza.

Hoje, os programas de entrevistas da "mídia sensacionalista" dão espaço a fantoches do poder que se sentem à vontade para zombar da Flotilha Global Sumud, reduzindo um esforço de solidariedade internacional a uma mera prestação de contas. Em um de seus programas recentes, Benito La Russa perguntou, referindo-se à Flotilha: "Quantas crianças vocês salvaram?". No entanto, eles permanecem em silêncio sobre as responsabilidades daqueles que fornecem o combustível, as armas e a proteção internacional para matar essas crianças.

É claro que as flotilhas gastaram 9 milhões de dólares sem conseguir entregar um único medicamento e, como anarquista, eu gostaria de ter visto ações mais diretas e menos hierárquicas do que as das ONGs. Mas a função delas é outra: romper o isolamento e tornar visível o que os Estados democráticos querem esconder na névoa da propaganda e do direito internacional, que é válido "até certo ponto".

Nos portos italianos, essa contradição já explodiu. Greves e bloqueios de trabalhadores da logística - assim como os liderados por camaradas como Lanfredi no Brasil - demonstraram que a "linha invisível" é real, passando sob guindastes e em contêineres. Um Estado não pode alegar ser alheio ao genocídio se participa ativamente das redes que o tornam possível. Enquanto essa fratura não for enfrentada por meio da ação direta do povo, o fluxo de sangue continuará. Silencioso, eficiente, indiferente.

Gabriel Cammarata

https://umanitanova.org/carburante-per-la-guerra-la-linea-rossa-del-capitale-sangue-petrolio-e-complicita-italiana/
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