A - I n f o s

a multi-lingual news service by, for, and about anarchists **
News in all languages
Last 40 posts (Homepage) Last two weeks' posts Our archives of old posts

The last 100 posts, according to language
Greek_ 中文 Chinese_ Castellano_ Catalan_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_ _The.Supplement

The First Few Lines of The Last 10 posts in:
Castellano_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_
First few lines of all posts of last 24 hours | of past 30 days | of 2002 | of 2003 | of 2004 | of 2005 | of 2006 | of 2007 | of 2008 | of 2009 | of 2010 | of 2011 | of 2012 | of 2013 | of 2014 | of 2015 | of 2016 | of 2017 | of 2018 | of 2019 | of 2020 | of 2021 | of 2022 | of 2023 | of 2024 | of 2025 | of 2026

Syndication Of A-Infos - including RDF - How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups

(pt) Italy, UCADI, #206 - CAOS APÓS A PÓS-MODERNIDADE (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Wed, 13 May 2026 08:09:09 +0300


Antes de sufocar (ou respirar) na prisão (ou paraíso) de um império global pós-capitalista ou de uma sociedade de mercado global pós-capitalista, a humanidade poderia arder nos horrores (ou glórias) da crescente violência que acompanhou a liquidação da ordem mundial da Guerra Fria. Nesse caso, também, a história do capitalismo chegaria ao fim, mas desta vez por meio de um retorno estável ao caos sistêmico de onde se originou há seiscentos anos e que se reproduziu em escala cada vez maior a cada transição. Se isso significará o fim da história do capitalismo ou o fim de toda a história da humanidade, só o tempo dirá.
(G. Arrighi, "O Longo Século XX" 1996-2014, p. 392)

"Todos sabem tudo sobre o começo, mas ninguém pode falar sobre o fim."

(F. de Gregori. "Desastre aéreo sobre o Estreito da Sicília", 1976)

Só podemos dizer uma coisa.

Pode-se pensar que conhecer a história é inútil e irrelevante para fazer previsões sobre o futuro com base no presente. Especialmente se entendermos a história como um caminho retilíneo, homogêneo, teleológico e quase teológico. Contudo, dado que os humanos surgiram neste planeta há um tempo extremamente curto, não podemos evitar analisar o presente partindo do que já sabemos, que muitas vezes parece se repetir periodicamente, ou apresentando novos conteúdos em recipientes antigos (ou vice-versa).
Isso também porque não há outro caminho senão tatear na escuridão total, em um abismo de razão difícil até mesmo de sondar.
No entanto, mesmo admitindo que a história não é um caminho completamente legível e sensato, mas uma reconstrução de uma jornada acidentada na qual tentamos agarrar ao menos algum fio condutor que una e torne um esboço, uma sinopse, compreensível, é realmente complicado navegar pela contemporaneidade usando apenas as ferramentas usuais.

Nós os vimos chegando.

Vem à mente, por exemplo, o nascimento do fascismo, um nascimento que poucos conseguiram apreender em toda a sua avassaladora novidade. E onde análises focadas em uma única chave falharam em captar um movimento magmático (magmático para os próprios fundadores) que, em última análise, pavimentou o caminho para a absoluta novidade de um projeto totalitário sem precedentes.
Não as análises puramente econômicas, nem as liberais, nem as patrióticas ou para-Risorgimento (todas essas foram absorvidas pela via anti-ideológica do fascismo, posteriormente expelida em uma figura quase mitológica: o hircocervus).
E, no entanto, não podemos deixar de trabalhar com o material que temos, evitando tons oraculares, mas também não nos paralisando diante do mundo que se apresenta.
Deparamo-nos, hoje, com algo sem precedentes, cujas raízes, porém, devem ser buscadas nos últimos trinta anos.
Sejamos claros: tudo poderia ter sido diferente, mas o que não aconteceu talvez possa interessar a análises contrafactuais e jogos de salão, ou em algum universo paralelo segundo a teoria das cordas.
Mas, no contexto em que nos encontramos, foi assim que aconteceu, e só podemos analisar dessa forma.
O caminho que levou ao fim do universo do chamado "socialismo real" não foi, de modo algum, um triunfo de alguma onda libertária. Foi, ao contrário, a vitória esmagadora e vingativa do capitalismo mais violento. Sal foi jogado sobre as cinzas do socialismo, realizado ou possível, e nem mesmo as honras da guerra foram concedidas. De André compreendeu isso muito bem desde o início, tanto que, em 1990, naquela obra-prima "Domingo dos Mortos", disse: " A pirâmide de Quéops queria ser reconstruída naquele dia festivo, pedra por pedra, escravo por escravo, comunista por comunista". Essa batalha foi travada, convém lembrar, não (ou não apenas) pela direita fascista e pós-fascista, mas, sobretudo, pela componente liberal da sociedade e seus principais mercenários.

O DEUS DO MERCADO

Agora, não quero aborrecer o leitor com coisas que já foram escritas mil vezes, mas é essencial lembrar que o estopim que nos levou à situação atual foi aceso naqueles anos. O que ressurgiu das profundezas dos esgotos onde havia sido lançado não foi apenas a horda fascista, mas também (e eu diria fundamentalmente) uma teoria econômica que havia sido dada como morta e enterrada: o ordoliberalismo.
Certamente não posso entrar aqui nos detalhes dessa verdadeira distopia capitalista[2], mas deve-se lembrar que, diferentemente do liberalismo, essa ideologia totalitária não aborda a economia segundo os ditames do agora ultrapassado "livre mercado", mas busca integrar toda a sociedade. Não "menos Estado", mas sim "mais Estado", colocado a serviço do capital (o capitalismo não é um estado de natureza e, portanto, sua ideologia precisa ser construída). A competição colocada a serviço de todo o conhecimento humano (da saúde às escolas, das universidades ao mundo do trabalho). Essa é a ideologia dominante sobre a qual a UE foi construída.
O Império Americano já havia experimentado isso no golpe no Chile, com os Chicago Boys. Nesse caso, diferentemente da União Europeia, como frequentemente ocorre na história do capitalismo, o neoliberalismo desenfreado foi acompanhado por uma repressão sangrenta e brutal. O capital jamais hesita em usar a força quando a persuasão moral falha. É por isso que o Estado é fundamental, ao contrário do que acreditam os teóricos econômicos amadores.
Que o capital carece do "raciocínio" para defender sua própria "racionalidade" (no sentido teológico do termo) já deveria estar claro para todos, mesmo que sua hegemonia pareça ter conquistado corações e mentes.
Após 1989, um capitalismo triunfante também se torna o senhor do mundo e se apresenta como um Deus benevolente, mas também punitivo.

EU SOU A LEI

Nesse sentido, o massacre da primeira e da segunda Guerra do Golfo contra um país do Terceiro Mundo surge hoje não como um exemplo de reafirmação do "direito internacional", mas sim como a criação ex nihilo da lei do império.
Um sinal que passou despercebido, exceto por alguns (Danilo Zolo, por exemplo). Mas quando, após a euforia do desmantelamento do muro (que recaiu inteiramente sobre as classes mais baixas) e a fúria dos liberais, sempre acompanhada pela dos fascistas, novos atores, e não secundários, surgiram no cenário mundial, o Império começou a ruir. A China, com um desempenho extraordinário (para usar o neopoema), tornou-se em poucos anos o principal ator no cenário econômico global; a Rússia, após as humilhações de pária global sofridas sob Yeltsin, ressurgiu como um Estado autoritário, mas que já não pedia "permissão", sem mencionar os outros países gigantescos que hoje compõem aquela estranha e complexa entidade conhecida como BRICS.

O CAOS SOU EU

Essa nova desarticulação do mundo trouxe uma reação sem precedentes ao Ocidente. E se o primeiro Trump surgiu como um demagogo combatendo as elites globalistas, após a insensata eleição do pouco lúcido Biden (responsável pela escalada militar no conflito ucraniano), o segundo se apresenta como o epítome de um império em declínio, uma espécie de República Social mil vezes mais virulenta. Tendo descartado qualquer noção de "poder brando", ele, com uma linguagem mafiosa, demoliu todo vestígio de "direito internacional", até mesmo o direito imperial de seus antecessores, lançando-se de cabeça na criação do caos que, numa análise mais atenta, dá a impressão de um niilismo absoluto e devastador.
Embora, obviamente, a história, por mais importantes que sejam as personalidades individuais, certamente não avance apenas com a trajetória de um homem só. Enormes interesses militares, a necessidade de pavimentar o caminho para o conflito final com a China, a conquista de recursos... este novo hircocervus realmente contém tudo, mas é tão intrincado que é difícil compreender seu significado. Isso também se deve ao fato de estarmos em um período em que um genocídio cometido ao vivo e em todas as redes não só ficou impune, como recebeu o apoio de todo (ou quase todo) o mundo ocidental. Estamos verdadeiramente, para citar o filósofo, em uma "transvaloração de todos os valores", até mesmo daqueles que por 80 anos nos foram apresentados como "nunca mais".
Mas sabemos que os liberais, as classes dominantes, quando forçados a escolher, sempre considerarão Hitler o mal menor, se assim o desejarem.

SERVIDÃO VOLUNTÁRIA

Tenho permanecido em silêncio sobre a Europa, ou melhor, sobre a UE. Porque não há nada a dizer sobre ela. A insignificância política desta entidade em forma de euro parece agora evidente. E se quiséssemos dizer algo, seria que nunca antes, nem mesmo nos anos mais difíceis da Guerra Fria, houve tamanha submissão, muito além da decência, a um senhor que agora nos despreza abertamente, e quanto mais subservientes formos, mais (com razão) o repugnamos.
Um grupo composto pelo nível mais baixo já alcançado por uma classe dominante inepta, ignorante, arrogante e covarde que nos arrastará para o abismo.

Andrea Bellucci

[2]A bibliografia sobre o assunto é agora vasta. Um texto fundamental continua sendo o de Pierre Dardot e Christian Laval, A Nova Razão do Mundo. Crítica da Racionalidade Neoliberal , Derive Approdi, 2013

https://www.ucadi.org/2026/03/28/caos-dopo-la-postmodernita/
_________________________________________
A - I n f o s Uma Agencia De Noticias
De, Por e Para Anarquistas
Send news reports to A-infos-pt mailing list
A-infos-pt@ainfos.ca
Subscribe/Unsubscribe https://ainfos.ca/mailman/listinfo/a-infos-pt
Archive http://ainfos.ca/pt
A-Infos Information Center