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(pt) NZ, Aotearoa, AWSM: Moradia para Pessoas, Não para Lucro: Por que a Renda Básica Não Acabará com a Situação de Sem-Teto (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Fri, 3 Apr 2026 08:56:33 +0300
O Scoop publicou uma matéria sobre a situação de sem-teto e a renda
básica na Nova Zelândia, elaborada pela organização Basic Income New
Zealand, que faz algo importante: reconhece que a pobreza e a
insegurança habitacional não são questões marginais, mas sim questões
políticas centrais. O simples fato de que programas de renda garantida
estejam sendo discutidos em relação à situação de sem-teto demonstra a
profundidade da crise. Mas, de uma perspectiva anarco-comunista, não
basta debater quanto dinheiro o Estado deve distribuir. Precisamos
questionar por que, em um dos países mais ricos per capita do mundo,
tantas pessoas não têm um lugar seguro para morar.
A situação de sem-teto na Nova Zelândia é rotineiramente enquadrada como
uma falha do sistema de apoio à renda, uma lacuna na rede de proteção
social ou um subproduto infeliz da turbulência econômica. Essa abordagem
é excessivamente polida. A situação de sem-teto não é uma falha do
capitalismo, mas sim uma de suas consequências regulares. Vivemos em uma
sociedade onde a habitação é tratada, antes de tudo, como uma
mercadoria, algo para ser comprado, vendido, especulado, alavancado e
acumulado. A moradia não é organizada em torno da necessidade, mas sim
do lucro. A terra é acumulada e os aluguéis são inflacionados ao máximo
que o mercado suporta. Nessas condições, não é surpreendente que dezenas
de milhares de pessoas sofram com a insegurança habitacional, sejam
relegadas a motéis às custas do Estado ou acabem dormindo na rua. A
surpresa seria se isso não acontecesse.
A atração de uma renda básica nesse contexto é óbvia. Se os aluguéis são
exorbitantes e os salários estão estagnados, dê mais dinheiro às
pessoas. Se os benefícios são punitivos e condicionados, substitua-os
por algo universal e incondicional. Partidos como o Partido Verde e o
Partido da Oportunidade têm proposto versões de programas de renda
mínima garantida como uma resposta humanitária à pobreza e à
precariedade. A ideia de que toda pessoa deve ter um piso material
abaixo do qual não possa cair tem força moral. Ela fala de dignidade.
Isso aponta para o princípio de que a sobrevivência não deve depender de
agradar a um gestor de caso ou de satisfazer critérios burocráticos. Num
país onde as sanções aos benefícios sociais e a crueldade administrativa
têm empurrado as pessoas ainda mais para a crise, o apelo de um
rendimento incondicional é compreensível.
Contudo, temos de ser claros quanto aos limites desta abordagem. Um
rendimento básico, introduzido no âmbito existente das relações de
propriedade capitalistas, não desmercantiliza a habitação. Não socializa
a terra. Não retira a habitação para arrendamento do mercado
especulativo. Não põe fim ao poder dos senhorios de fixar os preços de
acordo com o que conseguem extrair. Em vez disso, injeta dinheiro num
sistema que continua a operar segundo o lucro. Num sistema assim, há
todas as razões para esperar que uma parte significativa desse dinheiro
seja absorvida pelo aumento das rendas e dos custos. Sem uma
transformação estrutural, os apoios ao rendimento correm o risco de se
tornarem subsídios para os proprietários.
Há uma questão mais profunda em jogo. O capitalismo não gera pobreza por
acaso; requer insegurança como mecanismo disciplinador. A ameaça do
desemprego, das dívidas e do despejo mantém os trabalhadores submissos.
Quando a educação é financiada por empréstimos, os graduados começam
suas vidas profissionais já endividados. Quando a habitação é escassa e
cara, as pessoas são menos propensas a resistir a trabalhos
exploratórios por medo de perderem suas casas. A falta de moradia, em
sua forma mais extrema, é um aviso escrito em termos humanos: não
conseguir garantir seu lugar no mercado de trabalho significa que é isso
que o espera. Uma renda básica pode atenuar essa ameaça marginalmente,
mas se mantiver intacto o sistema salarial e a mercantilização de bens
essenciais, a lógica subjacente persiste.
Na Nova Zelândia, vimos como a política estatal oscila entre o apoio
paternalista e a punição direta. Os valores dos benefícios aumentam
ligeiramente, depois são corroídos pela inflação ou compensados por
cortes em outras áreas. Os entraves administrativos são reduzidos em um
mandato governamental e aumentados no seguinte. Ao mesmo tempo, surgem
propostas para autorizar a polícia a emitir ordens de remoção para
pessoas em situação de rua, criminalizando, na prática, a visibilidade
da pobreza. A contradição é gritante: o Estado alega preocupação com a
falta de moradia enquanto expande sua capacidade de remover essas
pessoas da vista do público. Sob o capitalismo, as políticas sociais e o
policiamento muitas vezes trabalham em conjunto, uma gerenciando a
pobreza e a outra contendo-a.
As pessoas em situação de sem-teto não representam um recorte aleatório
da população. Mulheres, crianças, pessoas com deficiência e maoris são
afetados de forma desproporcional. Esse fato por si só deveria dissipar
o mito de que a falta de moradia se resume a uma falha individual.
Trata-se de desigualdade estrutural que permeia raça, gênero e classe. O
legado da colonização em Aotearoa (Nova Zelândia), a alienação das
terras maoris e a concentração da propriedade imobiliária nas mãos de
colonizadores e corporações fazem parte dessa história. O mesmo ocorre
com a transformação da habitação em uma classe de ativos que proporciona
ganhos de capital isentos de impostos para investidores, enquanto exclui
outros. Uma transferência de renda não pode desfazer essa história.
Isso não significa que os anarco-comunistas devam descartar os debates
sobre a renda básica como irrelevantes. Pelo contrário, qualquer medida
que reduza imediatamente as dificuldades merece consideração séria. Uma
renda incondicional poderia enfraquecer os aspectos mais degradantes do
sistema de bem-estar social e dar às pessoas um fôlego. Poderia reduzir
o poder dos empregadores de coagir trabalhadores a aceitarem empregos
inseguros ou mal remunerados. Poderia criar espaço para o trabalho de
cuidado, atividades comunitárias e organização política. Esses não são
ganhos triviais. Mas devemos resistir à tentação de tratá-los como
objetivos finais, em vez de pontos de partida.
O problema fundamental é que o capitalismo organiza a vida em torno do
valor de troca, e não do valor de uso. A habitação existe para gerar
renda, não simplesmente para abrigar. A terra se valoriza porque é
escassa e de propriedade privada, não porque seu valor deriva da vida
comunitária. Enquanto essas premissas permanecerem intactas, a situação
de sem-teto ressurgirá em novas formas. O sistema pode tolerar um certo
nível de miséria, mas não pode tolerar um desafio às relações de
propriedade. É por isso que mesmo as reformas mais generosas são
cuidadosamente calibradas para evitar minar a sacralidade da propriedade
privada.
Uma abordagem verdadeiramente transformadora para a questão dos sem-teto
partiria do princípio de que a habitação deve ser desmercantilizada.
Isso significa construção de moradias públicas e comunitárias em larga
escala, controladas, não como uma rede de segurança residual, mas como
uma forma dominante. Significa retirar a terra da especulação e
colocá-la sob gestão democrática. Significa apoiar iniciativas
habitacionais lideradas por hapu (subtribos) e pela comunidade que
reflitam o tino rangatiratanga (autonomia e controle) e o controle
coletivo, em vez da dependência do mercado. Significa confrontar o poder
político de construtoras, proprietários e bancos, em vez de cortejá-los.
Tal programa não pode ser implementado apenas por meio de manobras
parlamentares. A história da mudança social neste país, desde os
direitos sindicais até as lutas por terras dos Maori, mostra que as
conquistas são alcançadas por meio da ação coletiva. A organização de
inquilinos, a ocupação de prédios vazios e as redes de solidariedade que
redistribuem recursos fora do mercado não são gestos românticos, mas sim
desafios práticos à lógica que trata a moradia como uma mercadoria.
Quando comunidades ocupam casas vazias enquanto famílias dormem em
carros, elas expõem o absurdo de um sistema que protege a propriedade em
detrimento das pessoas.
O poder dos trabalhadores é fundamental neste contexto. A falta de
moradia está ligada não apenas aos custos da habitação, mas também aos
salários e à segurança no emprego. Uma economia baseada em contratos
precários, trabalho informal e subemprego gera um risco constante de
despejo. Fortalecer os sindicatos, construir cooperativas de
trabalhadores e exigir salários que reflitam o custo real de vida são
componentes essenciais de qualquer estratégia séria de combate à falta
de moradia. Sem uma mudança de poder no ambiente de trabalho, os
auxílios financeiros correm o risco de se tornarem remendos permanentes
em um barco furado.
Há também uma batalha cultural a ser travada. A ideologia capitalista
define independência como autossuficiência individual e dependência como
fracasso pessoal. Uma renda básica pode ser vendida dentro dessa
estrutura como uma ferramenta para ajudar os indivíduos a "se
reerguerem", mas a verdade mais profunda é que nenhum de nós sobrevive
sozinho. Moradia, assim como saúde e educação, é um bem coletivo.
Depende de trabalho compartilhado, infraestrutura compartilhada e terras
compartilhadas. Resgatar essa compreensão faz parte do desmantelamento
da narrativa moral que justifica a falta de moradia.
O artigo do The Scoop acena para a compaixão, e a compaixão importa. Mas
a compaixão sem análise estrutural pode deslizar para a tecnocracia. Ela
questiona como administrar a pobreza de forma mais eficiente em vez de
como aboli-la. O anarcocomunismo insiste que a falta de moradia não é
inevitável, não é natural e não é resultado de falta de habilidade
gerencial. É o resultado de escolhas deliberadas sobre propriedade,
lucro e poder. Essas escolhas podem ser revertidas, mas não sem
confrontar interesses arraigados.
Em última análise, o debate sobre a renda básica na Nova Zelândia é um
teste de imaginação política. Estamos preparados para encarar a moradia
como um direito enraizado na propriedade coletiva e no controle
democrático? Ou nos contentaremos com transferências monetárias que
deixam intactas as estruturas da desigualdade? A resposta determinará se
o problema dos sem-teto continuará a assombrar nossas cidades como uma
crise controlada ou se desaparecerá como uma relíquia de um sistema que
escolhemos deixar para trás.
Se levamos a sério o fim do problema dos sem-teto, precisamos ir além de
soluções paliativas. Precisamos desafiar a mercantilização da terra, o
sistema salarial que disciplina pela escassez e o aparato punitivo que
criminaliza a pobreza. Precisamos construir redes de solidariedade que
atendam às necessidades diretamente, enquanto nos organizamos para uma
transformação mais profunda. Uma renda básica pode fazer parte dessa
luta, mas não pode ser o seu horizonte. O horizonte deve ser uma
sociedade em que o direito de ninguém à moradia dependa da sua
capacidade de pagamento e onde o cuidado coletivo substitua a lógica de
mercado como princípio organizador da vida.
https://awsm.nz/homes-for-people-not-profit-why-basic-income-wont-end-homelessness/
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