A - I n f o s

a multi-lingual news service by, for, and about anarchists **
News in all languages
Last 40 posts (Homepage) Last two weeks' posts Our archives of old posts

The last 100 posts, according to language
Greek_ 中文 Chinese_ Castellano_ Catalan_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_ _The.Supplement

The First Few Lines of The Last 10 posts in:
Castellano_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_
First few lines of all posts of last 24 hours | of past 30 days | of 2002 | of 2003 | of 2004 | of 2005 | of 2006 | of 2007 | of 2008 | of 2009 | of 2010 | of 2011 | of 2012 | of 2013 | of 2014 | of 2015 | of 2016 | of 2017 | of 2018 | of 2019 | of 2020 | of 2021 | of 2022 | of 2023 | of 2024 | of 2025 | of 2026

Syndication Of A-Infos - including RDF - How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups

(pt) NZ, Aotearoa, AWSM: Moradia para Pessoas, Não para Lucro: Por que a Renda Básica Não Acabará com a Situação de Sem-Teto (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Fri, 3 Apr 2026 08:56:33 +0300


O Scoop publicou uma matéria sobre a situação de sem-teto e a renda básica na Nova Zelândia, elaborada pela organização Basic Income New Zealand, que faz algo importante: reconhece que a pobreza e a insegurança habitacional não são questões marginais, mas sim questões políticas centrais. O simples fato de que programas de renda garantida estejam sendo discutidos em relação à situação de sem-teto demonstra a profundidade da crise. Mas, de uma perspectiva anarco-comunista, não basta debater quanto dinheiro o Estado deve distribuir. Precisamos questionar por que, em um dos países mais ricos per capita do mundo, tantas pessoas não têm um lugar seguro para morar.

A situação de sem-teto na Nova Zelândia é rotineiramente enquadrada como uma falha do sistema de apoio à renda, uma lacuna na rede de proteção social ou um subproduto infeliz da turbulência econômica. Essa abordagem é excessivamente polida. A situação de sem-teto não é uma falha do capitalismo, mas sim uma de suas consequências regulares. Vivemos em uma sociedade onde a habitação é tratada, antes de tudo, como uma mercadoria, algo para ser comprado, vendido, especulado, alavancado e acumulado. A moradia não é organizada em torno da necessidade, mas sim do lucro. A terra é acumulada e os aluguéis são inflacionados ao máximo que o mercado suporta. Nessas condições, não é surpreendente que dezenas de milhares de pessoas sofram com a insegurança habitacional, sejam relegadas a motéis às custas do Estado ou acabem dormindo na rua. A surpresa seria se isso não acontecesse.

A atração de uma renda básica nesse contexto é óbvia. Se os aluguéis são exorbitantes e os salários estão estagnados, dê mais dinheiro às pessoas. Se os benefícios são punitivos e condicionados, substitua-os por algo universal e incondicional. Partidos como o Partido Verde e o Partido da Oportunidade têm proposto versões de programas de renda mínima garantida como uma resposta humanitária à pobreza e à precariedade. A ideia de que toda pessoa deve ter um piso material abaixo do qual não possa cair tem força moral. Ela fala de dignidade. Isso aponta para o princípio de que a sobrevivência não deve depender de agradar a um gestor de caso ou de satisfazer critérios burocráticos. Num país onde as sanções aos benefícios sociais e a crueldade administrativa têm empurrado as pessoas ainda mais para a crise, o apelo de um rendimento incondicional é compreensível.

Contudo, temos de ser claros quanto aos limites desta abordagem. Um rendimento básico, introduzido no âmbito existente das relações de propriedade capitalistas, não desmercantiliza a habitação. Não socializa a terra. Não retira a habitação para arrendamento do mercado especulativo. Não põe fim ao poder dos senhorios de fixar os preços de acordo com o que conseguem extrair. Em vez disso, injeta dinheiro num sistema que continua a operar segundo o lucro. Num sistema assim, há todas as razões para esperar que uma parte significativa desse dinheiro seja absorvida pelo aumento das rendas e dos custos. Sem uma transformação estrutural, os apoios ao rendimento correm o risco de se tornarem subsídios para os proprietários.

Há uma questão mais profunda em jogo. O capitalismo não gera pobreza por acaso; requer insegurança como mecanismo disciplinador. A ameaça do desemprego, das dívidas e do despejo mantém os trabalhadores submissos. Quando a educação é financiada por empréstimos, os graduados começam suas vidas profissionais já endividados. Quando a habitação é escassa e cara, as pessoas são menos propensas a resistir a trabalhos exploratórios por medo de perderem suas casas. A falta de moradia, em sua forma mais extrema, é um aviso escrito em termos humanos: não conseguir garantir seu lugar no mercado de trabalho significa que é isso que o espera. Uma renda básica pode atenuar essa ameaça marginalmente, mas se mantiver intacto o sistema salarial e a mercantilização de bens essenciais, a lógica subjacente persiste.

Na Nova Zelândia, vimos como a política estatal oscila entre o apoio paternalista e a punição direta. Os valores dos benefícios aumentam ligeiramente, depois são corroídos pela inflação ou compensados por cortes em outras áreas. Os entraves administrativos são reduzidos em um mandato governamental e aumentados no seguinte. Ao mesmo tempo, surgem propostas para autorizar a polícia a emitir ordens de remoção para pessoas em situação de rua, criminalizando, na prática, a visibilidade da pobreza. A contradição é gritante: o Estado alega preocupação com a falta de moradia enquanto expande sua capacidade de remover essas pessoas da vista do público. Sob o capitalismo, as políticas sociais e o policiamento muitas vezes trabalham em conjunto, uma gerenciando a pobreza e a outra contendo-a.

As pessoas em situação de sem-teto não representam um recorte aleatório da população. Mulheres, crianças, pessoas com deficiência e maoris são afetados de forma desproporcional. Esse fato por si só deveria dissipar o mito de que a falta de moradia se resume a uma falha individual. Trata-se de desigualdade estrutural que permeia raça, gênero e classe. O legado da colonização em Aotearoa (Nova Zelândia), a alienação das terras maoris e a concentração da propriedade imobiliária nas mãos de colonizadores e corporações fazem parte dessa história. O mesmo ocorre com a transformação da habitação em uma classe de ativos que proporciona ganhos de capital isentos de impostos para investidores, enquanto exclui outros. Uma transferência de renda não pode desfazer essa história.

Isso não significa que os anarco-comunistas devam descartar os debates sobre a renda básica como irrelevantes. Pelo contrário, qualquer medida que reduza imediatamente as dificuldades merece consideração séria. Uma renda incondicional poderia enfraquecer os aspectos mais degradantes do sistema de bem-estar social e dar às pessoas um fôlego. Poderia reduzir o poder dos empregadores de coagir trabalhadores a aceitarem empregos inseguros ou mal remunerados. Poderia criar espaço para o trabalho de cuidado, atividades comunitárias e organização política. Esses não são ganhos triviais. Mas devemos resistir à tentação de tratá-los como objetivos finais, em vez de pontos de partida.

O problema fundamental é que o capitalismo organiza a vida em torno do valor de troca, e não do valor de uso. A habitação existe para gerar renda, não simplesmente para abrigar. A terra se valoriza porque é escassa e de propriedade privada, não porque seu valor deriva da vida comunitária. Enquanto essas premissas permanecerem intactas, a situação de sem-teto ressurgirá em novas formas. O sistema pode tolerar um certo nível de miséria, mas não pode tolerar um desafio às relações de propriedade. É por isso que mesmo as reformas mais generosas são cuidadosamente calibradas para evitar minar a sacralidade da propriedade privada.

Uma abordagem verdadeiramente transformadora para a questão dos sem-teto partiria do princípio de que a habitação deve ser desmercantilizada. Isso significa construção de moradias públicas e comunitárias em larga escala, controladas, não como uma rede de segurança residual, mas como uma forma dominante. Significa retirar a terra da especulação e colocá-la sob gestão democrática. Significa apoiar iniciativas habitacionais lideradas por hapu (subtribos) e pela comunidade que reflitam o tino rangatiratanga (autonomia e controle) e o controle coletivo, em vez da dependência do mercado. Significa confrontar o poder político de construtoras, proprietários e bancos, em vez de cortejá-los.

Tal programa não pode ser implementado apenas por meio de manobras parlamentares. A história da mudança social neste país, desde os direitos sindicais até as lutas por terras dos Maori, mostra que as conquistas são alcançadas por meio da ação coletiva. A organização de inquilinos, a ocupação de prédios vazios e as redes de solidariedade que redistribuem recursos fora do mercado não são gestos românticos, mas sim desafios práticos à lógica que trata a moradia como uma mercadoria. Quando comunidades ocupam casas vazias enquanto famílias dormem em carros, elas expõem o absurdo de um sistema que protege a propriedade em detrimento das pessoas.

O poder dos trabalhadores é fundamental neste contexto. A falta de moradia está ligada não apenas aos custos da habitação, mas também aos salários e à segurança no emprego. Uma economia baseada em contratos precários, trabalho informal e subemprego gera um risco constante de despejo. Fortalecer os sindicatos, construir cooperativas de trabalhadores e exigir salários que reflitam o custo real de vida são componentes essenciais de qualquer estratégia séria de combate à falta de moradia. Sem uma mudança de poder no ambiente de trabalho, os auxílios financeiros correm o risco de se tornarem remendos permanentes em um barco furado.

Há também uma batalha cultural a ser travada. A ideologia capitalista define independência como autossuficiência individual e dependência como fracasso pessoal. Uma renda básica pode ser vendida dentro dessa estrutura como uma ferramenta para ajudar os indivíduos a "se reerguerem", mas a verdade mais profunda é que nenhum de nós sobrevive sozinho. Moradia, assim como saúde e educação, é um bem coletivo. Depende de trabalho compartilhado, infraestrutura compartilhada e terras compartilhadas. Resgatar essa compreensão faz parte do desmantelamento da narrativa moral que justifica a falta de moradia.

O artigo do The Scoop acena para a compaixão, e a compaixão importa. Mas a compaixão sem análise estrutural pode deslizar para a tecnocracia. Ela questiona como administrar a pobreza de forma mais eficiente em vez de como aboli-la. O anarcocomunismo insiste que a falta de moradia não é inevitável, não é natural e não é resultado de falta de habilidade gerencial. É o resultado de escolhas deliberadas sobre propriedade, lucro e poder. Essas escolhas podem ser revertidas, mas não sem confrontar interesses arraigados.

Em última análise, o debate sobre a renda básica na Nova Zelândia é um teste de imaginação política. Estamos preparados para encarar a moradia como um direito enraizado na propriedade coletiva e no controle democrático? Ou nos contentaremos com transferências monetárias que deixam intactas as estruturas da desigualdade? A resposta determinará se o problema dos sem-teto continuará a assombrar nossas cidades como uma crise controlada ou se desaparecerá como uma relíquia de um sistema que escolhemos deixar para trás.

Se levamos a sério o fim do problema dos sem-teto, precisamos ir além de soluções paliativas. Precisamos desafiar a mercantilização da terra, o sistema salarial que disciplina pela escassez e o aparato punitivo que criminaliza a pobreza. Precisamos construir redes de solidariedade que atendam às necessidades diretamente, enquanto nos organizamos para uma transformação mais profunda. Uma renda básica pode fazer parte dessa luta, mas não pode ser o seu horizonte. O horizonte deve ser uma sociedade em que o direito de ninguém à moradia dependa da sua capacidade de pagamento e onde o cuidado coletivo substitua a lógica de mercado como princípio organizador da vida.

https://awsm.nz/homes-for-people-not-profit-why-basic-income-wont-end-homelessness/
_________________________________________
A - I n f o s Uma Agencia De Noticias
De, Por e Para Anarquistas
Send news reports to A-infos-pt mailing list
A-infos-pt@ainfos.ca
Subscribe/Unsubscribe https://ainfos.ca/mailman/listinfo/a-infos-pt
Archive http://ainfos.ca/pt
A-Infos Information Center