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(pt) France, OCL CA #357 - Quando a Ecologia é Usada para Financiar Poluição e Armamentos (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]

Date Mon, 23 Mar 2026 08:41:26 +0200


O caso foi revelado por um consórcio de jornalistas chamado Voxeurop, que inclui o Mediapart, o IrpiMedia (Itália) e o El País (Espanha). Eles descobriram que um total de 50 bilhões de euros de fundos ditos "verdes" foram investidos no setor de defesa sob a orientação - e com a clara intenção - da Comissão Europeia. Algumas dessas armas estão envolvidas na guerra em Gaza, enquanto outras aguardam futuros conflitos... Antes das armas, bilhões também foram investidos nas empresas mais poluentes, como a Total e outras do mesmo setor.

A Teoria
Para entender o que são fundos verdes, é necessário um pouco de contexto. Eles são um meio de financiar a "transição ecológica", criada em 2021 com a adoção pela União Europeia do Pacto Ecológico Europeu, que visa tornar a UE uma "zona neutra em carbono" até 2050. A quantidade de CO2 emitida serve como referência. Esse novo selo "verde" tinha como objetivo aumentar a transparência para os investidores. Esses fundos são divididos em duas categorias: fundos do "Artigo 8", também chamados de "verde claro", em que uma parte dos ativos deve ser eco-responsável; e fundos do "Artigo 9" ou "verde escuro", que são mais rigorosos porque devem ser totalmente sustentáveis do ponto de vista ambiental e social. Simples, não é? Exceto que Bruxelas se recusa a definir o que constitui um "investimento sustentável". O julgamento fica a cargo dos próprios banqueiros ou das agências de classificação de risco, que determinam o valor ecológico ou social de uma empresa.

A farsa é espantosa e chegou a alarmar a Autoridade dos Mercados Financeiros da França (AMF), que declarou em 2023 que "é crucial, para reduzir o greenwashing, que a Comissão Europeia" endureça as regras e que haja "padrões mínimos, e que os regulamentos definam claramente o que constitui um investimento sustentável". O cerne desse greenwashing reside em um sistema de classificação que lembra um diploma do ensino médio de 1968! Nesses sistemas de classificação, os critérios ambientais contam apenas uma pequena parte, permitindo investimentos em empresas que, embora poluentes, são altamente avaliadas em responsabilidade social e "governança".

E mesmo no quesito "emissões ambientais", os subterfúgios são numerosos. Primeiro, apenas as emissões diretas da empresa são levadas em consideração; as emissões indiretas são ignoradas. Assim, a agência de classificação MSCI considera que a TotalEnergies está cumprindo a meta do Acordo de Paris (aquecimento de 2°C) porque não inclui as emissões geradas pela combustão do petróleo e gás produzidos pela TotalEnergies. Segundo, mede-se a intensidade de carbono, e não as emissões brutas de CO2. Essa intensidade é calculada da seguinte forma: emissões divididas pela receita.

A Prática
Como podemos ver, os fundos verdes são imediatamente configurados para servir ao capitalismo como ele existe atualmente e como é mais lucrativo. Assim, de 2021 a 2024, US$ 33 bilhões foram investidos nas 25 empresas petrolíferas mais prejudiciais ao clima (TotalEnergies, ENI, Shell, etc.); Foram investidos US$ 20 bilhões em empresas automotivas (Toyota, Stellantis, Mercedes-Benz, General Motors, etc.); US$ 14 bilhões em empresas de moda, incluindo líderes do fast-fashion como Zara e H&M; US$ 9 bilhões no setor aeroespacial; e até US$ 623 milhões em carvão. A Transição parece promissora.

Outro setor promissor é o de comércio de armas, embora inicialmente os banqueiros estivessem relutantes em investir em um setor tão distante da "sustentabilidade". Mas isso não leva em conta o lobby agressivo da indústria armamentista e também o contexto internacional em completa transformação na Europa com o ataque da Rússia à Ucrânia, iniciado em fevereiro de 2022. A Comissão Europeia está se preparando para a guerra. Em seu documento de apresentação da estratégia, datado de novembro de 2024, os tecnocratas declaram: "A indústria de defesa[...]dá uma contribuição essencial para a resiliência e a segurança da União e, portanto, para a paz e a sustentabilidade social. Nesse contexto, a estrutura de financiamento sustentável da UE é totalmente consistente com os esforços da União para facilitar o acesso ao financiamento para a indústria de defesa europeia." QED. Os banqueiros captam rapidamente a mensagem e abrem as comportas para os fabricantes de armas.

Os números falam por si: desde 2022, os investimentos de fundos verdes na indústria armamentista mais do que triplicaram, atingindo EUR 49,8 bilhões no final de junho de 2025. E isso está dando resultado, já que em 2025, 800 fundos obtiveram EUR 7 bilhões em lucros. Uma verdadeira pechincha! Entre os maiores investidores estão o conhecido fundo de investimento americano BlackRock (EUR 3 bilhões), seguido pela empresa alemã DWS (EUR 2,4 bilhões) e pelo American Capital Group (EUR 1,8 bilhão). O Crédit Agricole ocupa o quarto lugar (EUR 1,7 bilhão), e outros bancos franceses também envolvidos incluem o Eleva Capital, o Crédit Mutuel e o grupo BPCE, que inclui o Banque Populaire e a Caisse d'Épargne.

Esses investimentos "verdes" beneficiaram 104 empresas ligadas à indústria bélica - incluindo as líderes europeias (ver gráfico) - principalmente a francesa Safran (5,6 bilhões de euros), fabricante de drones e bombas de "precisão", mas também outros grandes grupos como Rolls-Royce, Rheinmetall e Airbus, conhecidos por suas baixíssimas emissões de CO2. Quanto ao aspecto socialmente responsável, basta perguntar aos habitantes de Gaza atingidos por bombas disparadas pelo obuseiro M109, parcialmente fabricado pela alemã Rheinmetall, enquanto a Rolls-Royce fornece componentes para tanques israelenses. Por fim, 25 fundos verdes investiram diretamente 23 milhões de euros na empresa de defesa Elbit Systems, peça-chave do complexo militar-industrial israelense responsável pelo genocídio palestino.

Margat, janeiro de 2026

http://oclibertaire.lautre.net/spip.php?article4630
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