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(pt) Brazil, OSL: Petrobras e Correios em greve! Pela unidade nas lutas! (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Wed, 21 Jan 2026 06:31:51 +0200
A classe trabalhadora brasileira vive um momento importante neste fim de
ano, com o início de duas greves simultâneas em setores estratégicos: a
dos petroleiros do Sistema Petrobras e a dos trabalhadores dos Correios.
Nos solidarizamos às trabalhadoras e trabalhadores em greve, que fazem
um forte enfrentamento em defesa de seus direitos, e contra os projetos
privatistas.
Não devemos entender as greves como paralisações isoladas, mas como um
sintoma agudo de um mesmo conflito de classes que atinge o coração do
país. De um lado, uma classe trabalhadora esgotada pela precarização,
pelo desmonte dos serviços públicos e pela retirada sistemática de
direitos. De outro, a lógica implacável do capital, que vê na
privatização das estatais uma grande oportunidade de avanço na gestão de
seus lucros, e enxerga nos trabalhadores um custo a ser reduzido.
Sabemos que o Estado não é neutro e que sua gestão passa pelo crivo das
classes dominantes, no entanto, a privatização significa um passo
estratégico para aprofundar o processo de entrega total dos serviços
para a lógica do lucro.
Os petroleiros, sob o lema "Mais ACT, Menos Acionistas", paralisam
refinarias, plataformas e terminais de norte a sul, defendendo um acordo
coletivo digno e o papel da Petrobras como empresa pública. Somente nos
nove primeiros meses do ano, a Petrobras distribuiu R$ 37,3 bilhões para
pagamento de dividendos aos acionistas. Trabalhadoras e trabalhadores
enfrentam não apenas a intransigência da gestão, mas a violência do
Estado, com a prisão brutal de sindicalistas em piquetes, como ocorreu
na Reduc, no Rio de Janeiro. É a criminalização clássica da luta
sindical, mais uma demonstração que direito constitucional de greve
diante do capitalismo é apenas uma letra morta no papel.
Paralelamente, os trabalhadores dos Correios, após meses de negociações
infrutíferas, também cruzam os braços. Cansados de serem culpados pela
crise da empresa, rejeitam as propostas que querem extinguir conquistas
históricas, como o adicional de férias e o benefício de final de ano. A
revolta é tanta que, em São Paulo, a base aprovou a greve indo contra a
orientação da própria direção sindical pelega, uma demonstração poderosa
de autonomia e combatividade das bases da categoria. Em vários estados,
a tendência é que o movimento se espalhe, já tendo diversos locais
mantendo-se em "estado de greve".
Por trás do discurso de crise e da necessidade de "eficiência", o que
está em jogo é a entrega de um patrimônio público estratégico a gigantes
do capital internacional e nacional. A privatização dos Correios atende
diretamente aos interesses de grandes corporações do comércio
eletrônico, como a estadunidense Amazon, a chinesa Alibaba e a argentina
Mercado Livre, que cobiçam a imensa infraestrutura logística e a
capilaridade nacional da estatal para dominar o mercado de entregas no
Brasil. Mais do que um negócio, a aquisição significaria para essas
empresas o controle de um fluxo colossal de dados pessoais e hábitos de
consumo da população, além de poderem estrangular concorrentes menores.
O resultado não seria uma concorrência conforme o idealismo liberal, mas
a formação de um oligopólio privado, com serviços mais caros e
excludentes, que abandonaria regiões menos lucrativas e submeteria a
soberania logística e de dados do país aos interesses de conglomerados
estrangeiros. A greve, portanto, é também uma luta contra esta espoliação.
Os pontos que unem essas lutas são evidentes e profundos. Ambas são uma
trincheira na defesa do que é público e estratégico contra a entrega ao
setor privado e à ganância dos acionistas. Ambas representam a recusa
dos trabalhadores em pagar a conta de crises que não geraram, resistindo
à precarização e ao arrocho. Ambas mostram que a força real encontra-se
na organização e da decisão das bases, superando burocracias e
hesitações. E ambas sofrem a mesma ameaça: a repressão e a narrativa que
busca criminalizar a legítima insatisfação popular, seja dos
trabalhadores perdendo seus direitos, seja no restante das classes
oprimidas que sofrem com o sucateamento dos serviços públicos essenciais.
É fundamental, contudo, não cair na armadilha de isentar o atual governo
e suas alianças da responsabilidade direta nesse ataque. O governo
Lula/Alckmin, através de seus gestores nomeados, é quem aplica, na
prática, as políticas de arrocho nas estatais, defendendo os interesses
da estabilidade fiscal e dos acionistas em detrimento dos direitos
trabalhistas. Paralelamente, as burocracias sindicais majoritárias
ligadas à CUT e ao campo petista têm atuado frequentemente como freio à
luta, alimentando ilusões nas "mesas de negociação" e, no caso dos
Correios, chegando a postergar o início da greve a pedido do próprio
governo. Este papel de contenção, que desarma a combatividade e a
preparação prévia dos trabalhadores, precisa ser denunciado e superado
pela organização direta das bases, como ficou claro na assembleia dos
Correios em São Paulo, onde a categoria passou por cima da direção
sindical para deflagrar a paralisação.
A coincidência temporal dessas greves é um sinal importante. Elas
apontam para a necessidade urgente de unificação das resistências, e da
lembrança que qualquer governo servirá em primeira instância aos
interesses das classes dominantes. A paralisação de setores tão vitais
como o energético e o de comunicações revela a fragilidade de um sistema
que explora a maioria da população, e evidencia que parlamentares que se
elegem como defensores dos direitos dos trabalhadores estão fadados a
cometer estelionato eleitoral. Por isso, é fundamental estender redes de
solidariedade, denunciar a violência estatal e apoiar incondicionalmente
essas categorias. A luta dos petroleiros e dos carteiros deve ser a luta
de todas as classes oprimidas. Este é um chamado à união: que essas
greves sejam o catalisador de uma frente combativa que não se centralize
por objetivos eleitorais, mas sim que avance em força social para a
construção de um poder popular autogestionário que seja capaz de
substituir no futuro o sistema de dominação capitalista.
Organização Socialista Libertária
Dezembro de 2025
https://socialismolibertario.net/2025/12/18/petrobras-e-correios-em-greve/
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