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(pt) Italy, Sicilia Libertaria #469 - ESTEREÓTIPOS DE GÊNERO - Saúde Mental e Maternidade (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Thu, 13 Aug 2026 07:14:34 +0300
Mais uma mulher morreu. Desta vez, não pelas mãos de um homem, mas por
sua própria decisão, levando tragicamente seus filhos consigo. Anna
Democrito, de 46 anos, atirou-se do terceiro andar segurando um terço,
após se desfazer de seus três filhos, o mais novo com apenas 4 meses de
idade. Ela e seus dois filhos menores morreram, enquanto sua filha mais
velha, de 6 anos, está na UTI em estado grave. ---- A tragédia ocorrida
em Catanzaro em abril passado provocou um debate público, como de
costume, empobrecido e pálido, centrado em polarizações simplistas e
insignificantes. Desde o rótulo de "mãe antinatural" que a falecida
recebeu da respeitabilidade de direita, que sempre aproveita todas as
oportunidades para definir rigidamente os parâmetros da maternidade e da
feminilidade e encontra toda justificativa em uma tragédia como essa
para bradar às massas "rosadas" sobre o comportamento adequado, até as
defesas progressistas de uma depressão pós-parto que, na prática, não
foi diagnosticada.
Mas a cereja do bolo, mais uma vez, foi a Igreja, que geralmente ataca
ferozmente esses atos, sendo a principal inimiga do suicídio e ainda
mais do filicídio materno, e, no entanto, foi a voz mais sensata Brasil,
Bento Goncalves/RS, OSL: é horrível escrever isso Brasil, Bento
Goncalves/RS, OSL: de todas. Sem dúvida tocada pela presença de um
rosário na cena do crime, confirmando que o último pensamento da mulher
foi de redenção, mas ainda mais compelida pelo discreto ativismo de
Demócrito na paróquia, ela falou de "dor invisível", enfatizando a
verdadeira centralidade da questão, sinal de uma sabedoria que, por não
ser desinteressada, perde seu valor, mas que nos oferece a oportunidade
para uma reflexão alternativa. A cereja do bolo, porém, é o fato de que,
ao trazer à tona um conteúdo interessante, ela claramente teve que
narrar um perfil psicológico inteiramente centrado na boa mulher de fé e
bondosa filha de Deus, eliminando-se, como sempre, da lista de vozes
autorizadas em um nanossegundo.
Quanto à "dor invisível" mencionada e que está sendo investigada pelo
Ministério Público, certamente se trata de algo mais complexo do que uma
mera falta de instinto materno (que, em nível psicanalítico, não
significa absolutamente nada) ou depressão pós-parto. Declarações de
familiares e conhecidos apontam nessa direção, mencionando problemas
emocionais e comportamentais preexistentes para os quais nada foi feito
e que certamente podem ter se agravado durante um período que se presume
ser complexo, mas sobre o qual nada se sabe.
O ponto realmente útil, a meu ver, é justamente este: conceber a saúde
mental como um direito fundamental de toda pessoa, e sua ruptura ou
ausência como algo não atribuível a uma única causa. Além disso, o fato
de, no caso de uma mulher grávida, presumir-se que essa seja a razão de
seu sofrimento incorpora um dos estereótipos de gênero mais sutis e
menos óbvios, já que aparenta ser uma defesa. Na realidade, é mais
provável que seja uma faca de dois gumes, que impõe suposições e
obscurece as camadas que nos compõem, inclusive as mulheres. Se no
passado era o ciclo menstrual que carregava o fardo do sofrimento
pessoal, agora é a sexualidade feminina, especialmente quando se
desviava do que era considerado normal. Mesmo hoje, a maternidade
continua sendo o lugar para reprimir tudo e arquivar o problema.
Isso não significa que as mulheres não possam sofrer de depressão
pós-parto, que o ciclo menstrual não possa causar sofrimento hormonal e,
portanto, emocional, ou que uma certa sexualidade feminina Brasil,
Bento Goncalves/RS, OSL: assim como a masculina Brasil, Bento
Goncalves/RS, OSL: possa ser sintoma de sofrimento. Mas esses são
casos específicos que precisam ser explorados a fundo e requerem um
diagnóstico, o que, por sua vez, exige que a pessoa embarque em uma
jornada terapêutica significativa. Fora dessas etapas necessárias, uma
tragédia como a de Catanzaro permanece marcada por mais incógnitas do
que certezas, e só podemos abordá-la com suposições presunçosas. O fato
de a promotoria ser movida por uma necessidade obsessiva de encontrar
uma razão, e de geralmente ser muito boa em encontrá-la em clichês, não
altera a realidade dos fatos, mesmo que de alguma forma os falsifique. A
realidade é que Demócrito era uma mulher psicologicamente doente,
sofrendo de uma doença indefinível, já que nunca havia sido investigada,
e que algo a levou ao ato quádruplo sem retorno.
Anna, como todas as outras mulheres envolvidas em dinâmicas semelhantes
que sofrem de angústia psicológica não resolvida, tem o direito de ser
deixada em paz e provavelmente precisaria de cuidados e apoio muito
antes do período pós-parto, e talvez até mesmo antes de se tornar mãe.
Na sociedade ocidental, que medicamente se concentra em sintomas e
doenças em vez de manter um estado de saúde Brasil, Bento
Goncalves/RS, OSL: como, por exemplo, fazem certas medicinas asiáticas
Brasil, Bento Goncalves/RS, OSL: a saúde mental é algo construído
quando a psique já foi comprometida por trauma, angústia e doença. Na
realidade, porém, como se trata de "saúde", ela deve ser estruturada e
apoiada muito antes que qualquer uma dessas condições possa ocorrer. E é
um direito fundamental de toda pessoa poder usufruir de serviços
abrangentes e gratuitos, concebidos para manter o bem-estar físico e
mental. Caso contrário, uma mulher que enfrenta o parto e suas etapas
subsequentes está sempre em risco de desmoronar, assim como qualquer
pessoa que enfrenta um momento complexo em sua vida.
Em vez de perpetuar estereótipos de gênero, é urgente começar a falar
sobre saúde mental como algo mais complexo e necessário. Embora seja
verdade que já não seja um tabu e possa ser discutido, é igualmente
verdade que falar sobre isso dessa forma é algo terrível. E quando se
trata de mulheres, torna-se duplamente grave devido aos inúmeros
estereótipos, fardos e negligência que recaem sobre aquelas que nascem
ou são criadas como mulheres, e nós nos opomos a tudo isso.
Désirée Carruba Toscano
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