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(pt) Australia, AnComFed: Linha de Piquete - A deficiência é uma questão de classe (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]

Date Thu, 23 Jul 2026 08:36:35 +0300


Pessoas com deficiência não são separadas da classe trabalhadora. Elas fazem parte dela. ---- São pessoas com empregos remunerados, trabalhadores lesionados, cuidadores, pessoas que entram e saem do trabalho devido à dor, fadiga ou problemas de saúde mental. Mesmo aqueles que nunca trabalharam, e talvez nunca trabalhem, ainda vivem pelas regras do capitalismo: encontre o dinheiro para pagar as contas ou sucumba.
O capitalismo pune sistematicamente as pessoas com deficiência por existirem. Ele leva patrões e governos a verem algumas pessoas como "úteis" e outras como descartáveis. Isso porque o capitalismo funciona com base no lucro, não na necessidade humana.

A ideia de "normalidade" do patrão
Os patrões querem trabalhadores que possam comparecer no horário e manter o ritmo. Precisamos ser capazes de suportar o estresse sem desmoronar, seguir ordens e continuar mesmo quando sentimos dor. Para os patrões, esse é um "trabalhador normal": alguém pronto, confiável e sempre disponível.

Essa ideia de "normalidade" não é neutra. É usado contra todos nós. Faz com que as expectativas do chefe pareçam senso comum. Qualquer pessoa que não consiga acompanhar o ritmo é tratada como um "problema": imprevisível demais, lenta demais, cara demais.

Isso acontece porque o capitalismo detesta pagar por qualquer coisa que não lhe dê lucro. Crianças com deficiência são tratadas como "fardos". Aqueles que não se encaixam facilmente no mercado de trabalho se tornam um "problema orçamentário". Pessoas com deficiência e suas famílias são forçadas a lutar pelo básico: transporte, educação, apoio em casa. O resultado é que se espera que as famílias (mas principalmente as mulheres) façam o trabalho não remunerado ou mal remunerado que mantém as pessoas vivas e lhes oferece dignidade básica.

O que é deficiência para um milionário?

Deficiência não é apenas uma condição médica ou uma identidade. A classe social é crucial para a forma como a deficiência é vivenciada. O mesmo problema de saúde tem uma aparência muito diferente dependendo se você é rico ou pobre.

Um CEO com dor crônica não corre o risco de ser despejado por faltar alguns dias ao trabalho. Um proprietário com depressão não perde o acesso à comida por não conseguir trabalhar em turnos longos. Se precisar de um dia de folga, o aluguel continua entrando. As ações continuam rendendo. Pertencer à classe dominante garante proteção. Qualquer desafio pode ser enfrentado com assistência médica privada, ajuda remunerada em casa, transporte próprio e, o mais importante, a liberdade de descansar.

O que entendemos como deficiência sob o capitalismo tem um caráter de classe. É o que acontece quando problemas de saúde colidem com a compulsão de trabalhar por um salário e pagar pelas necessidades básicas. Trabalhadores com deficiência que não podem trabalhar, ou que perdem o emprego, correm o risco de perder tudo. A mesma lesão que é um "desafio" irritante para um chefe pode ser uma crise completa para um trabalhador.

E não é que o capitalismo simplesmente "esqueça" de incluir pessoas com deficiência. Ele produz deficiência. O trabalho braçal destrói os corpos. O trabalho de cuidado esgota as pessoas. A hotelaria e o comércio varejista desgastam as pessoas emocionalmente.

A pobreza e a insegurança habitacional também incapacitam as pessoas. Comida barata, sono ruim, aluguéis mofados e o estresse constante com as contas cobram seu preço. O capitalismo nos destrói e depois nos culpa por não conseguirmos lidar com a situação.

Deficiência e disciplina
A opressão das pessoas com deficiência não prejudica apenas aquelas que têm deficiência. Ela mantém toda a classe trabalhadora sob controle.

Pessoas com deficiência que não trabalham são usadas como saco de pancadas político. Políticos e a mídia falam sobre "vagabundos", "parasitas" e "fraudadores do sistema de assistência social" para justificar pagamentos menores e mais burocracia. Pessoas com deficiência são envergonhadas por tentarem sobreviver - e isso assusta todo mundo.

A mensagem é simples: não reclame, não diminua o ritmo, não recuse horas extras. Uma lesão, uma pane ou um diagnóstico, e você pode acabar implorando por um pagamento que não cobre o aluguel. A deficiência se torna a sombra que paira sobre todos os trabalhadores. E a maioria de nós a experimentará em algum momento, seja na velhice ou por meio de um familiar.

É por isso que a solidariedade com as pessoas com deficiência não é caridade. É autodefesa. Quando os governos cortam pagamentos, atacam quem frauda os benefícios ou tornam o NDIS e outros auxílios inacessíveis, eles não estão apenas visando uma minoria. Estão apertando o cerco contra todos, tornando a alternativa à exploração ainda pior.

Poder de classe, não pena
A deficiência é uma questão de classe. A ideia de que pessoas com deficiência nunca trabalham, ou que aqueles que não podem trabalhar estão fora da classe trabalhadora, está errada. O poder de classe pode ser construído por e com trabalhadores com deficiência - incluindo aqueles que estão desempregados.

Mas isso não pode se resumir a "ser mais gentil" enquanto todo o resto permanece igual. O verdadeiro poder de classe significa lutar juntos para mudar as condições que criam a deficiência e puni-la. E precisa ser revolucionário também. O mundo que precisamos é um mundo onde as deficiências não sejam barreiras para uma vida livre e plena.

Solidariedade prática se manifesta em apoiar um colega de trabalho que diminui o ritmo por segurança, em vez de dizer para ele "se fortalecer". Solidariedade é recusar-se a deixar que a gerência isole alguém que se machuca ou adoece. Significa pressionar os sindicatos a lutarem por salários mais altos, jornadas de trabalho mais curtas e licença médica de verdade, para que as pessoas não precisem se matar de trabalhar para manter um teto sobre suas cabeças. Significa lutar contra os cortes no NDIS (National Disability Insurance Scheme), no JobSeeker (auxílio-desemprego) e no DSP (Disability Support Provider - auxílio-doença), mesmo que você não receba esses benefícios. E começa desafiando a linguagem divisiva de "vagabundos" e "parasitas".

Cada vitória que torna a vida mais segura e estável para pessoas com deficiência dá ao restante da classe trabalhadora mais fôlego. Isso nos fortalece na luta por um mundo baseado em atender às necessidades, não em gerar lucros.

Sob o capitalismo, a deficiência é tratada como fracasso. Em uma sociedade livre, seria simplesmente parte do ser humano.

https://ancomfed.org/2026/06/disability-is-a-class-issue/
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