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(pt) Italy, FAI, Umanita Nova #7-26 - Polindo o palco - obscurecendo a dissidência. Sanremo: patrocinadores de combustíveis fósseis, ordens de expulsão e contramelodias (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Tue, 7 Apr 2026 08:49:44 +0300


Se o Festival de Sanremo é realmente - como acontece todos os anos - "um espelho do país", a imagem refletida este ano é clara. De um lado, o tapete azul em frente ao Teatro Ariston, iluminado e com a marca dos principais patrocinadores: Eni e Costa Crociere. Do outro, treze membros do Extinction Rebellion foram levados à delegacia, mantidos sob custódia por mais de seis horas e, em seguida, receberam ordens de expulsão que variam de um a três anos por exibirem cartazes contra o greenwashing. No meio, uma frase que carrega mais peso do que qualquer refrão: "Você não tem direitos quando está sob custódia policial".

Greenwashing em horário nobre
A ação durou apenas alguns minutos. Cartazes irônicos, baseados nos títulos das músicas concorrentes, denunciavam a operação de limpeza de imagem das multinacionais de combustíveis fósseis que investem cada vez mais em patrocínio cultural. O mecanismo é bem conhecido: a extração, a queima e a exploração de combustíveis fósseis continuam, mas a cultura, o esporte e o entretenimento são financiados. A marca é associada ao feriado nacional. A crise climática permanece fora das telas. Isso não é filantropia. É normalização.

Desde 1951, Sanremo vem construindo imaginários coletivos. Enquanto a emoção individual é celebrada no palco, um modelo econômico estruturalmente corresponsável pela crise ecológica se consolida na passarela.

Ordens de expulsão por um protesto pacífico
Após a prisão - definida como "identificação", apesar de as pessoas já terem se identificado - houve denúncias de manifestação não anunciada (Artigo 18 da Lei Consolidada de Segurança Pública) e descumprimento (Artigo 650 do Código Penal), além de ordens de expulsão obrigatória. Essa medida, fruto de esforços antimáfia, foi aplicada àqueles que exibiam pequenas faixas. Enquanto isso, o novo decreto de segurança entrava em vigor, endurecendo ainda mais as penalidades e multas para aqueles que se manifestassem sem aviso prévio ou "interrompessem" eventos públicos. A dissidência não é abertamente proibida. Ela se torna custosa. Arriscada. Expulsável.
A frase do policial - "veremos os direitos mais tarde" - captura um clima político em que a liberdade não é mais um pré-requisito, mas uma concessão adiada.

O Outro Sanremo
No entanto, a cidade não é apenas tapetes azuis e patrocinadores. A algumas ruas do Ariston, na Cidade Invisível, entre as obras de crianças palestinas na exposição "Coração de Gaza", Alessio Lega cantava. Cantor e compositor anarquista e colaborador de longa data da A Rivista Anarchica, Lega pertence a uma tradição que não considera a música uma mercadoria a ser compartilhada, mas uma ferramenta para a memória e a escolha. Enquanto no palco oficial a guerra permanece uma emoção genérica ou um silêncio prudente, ali, Gaza tem um nome. Tem rostos. Tem desenhos de crianças. Enquanto o Festival celebra a unidade nacional patrocinada, o contraconcerto reabre o conflito: climático, colonial, social.

Espelho Fiel, Rachaduras Visíveis
Se Sanremo é realmente um espelho do país, então reflete um equilíbrio muito preciso: multinacionais de combustíveis fósseis financiando o festival nacional; a dissidência tratada como um obstáculo a ser removido rapidamente; medidas administrativas destinadas a combater o crime organizado aplicadas a quem exibe cartazes; direitos evocados como formalidades, suspensíveis "enquanto isso".

A mensagem é simples: o show deve continuar. A marca da indústria de combustíveis fósseis pode desfilar. A crise climática não pode ser interrompida. A retórica da liberdade pode brilhar. Um protesto não autorizado não pode perturbá-la. E, no entanto, a poucos quarteirões de distância, um concerto para Gaza nos lembra que a cultura ainda pode escolher um lado. Que a música não é apenas a trilha sonora do consenso, mas também pode se tornar um contraponto. O Festival retrata uma Itália que quer parecer unida, pacífica e radiante. As expulsões, as ordens de expulsão, a frase "você não tem direitos" retratam uma Itália diferente: mais nervosa, mais autoritária, mais frágil. Talvez o verdadeiro espelho não seja o palco do Ariston. São as rachaduras que se abrem nas bordas.
E é aí que, mais cedo ou mais tarde, o ar entra.

Totò Caggese

https://umanitanova.org/lucidare-il-palco-oscurare-il-dissenso-sanremo-sponsor-fossili-fogli-di-via-e-controcanti/
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