|
A - I n f o s
|
|
a multi-lingual news service by, for, and about anarchists
**
News in all languages
Last 40 posts (Homepage)
Last two
weeks' posts
Our
archives of old posts
The last 100 posts, according
to language
Greek_
中文 Chinese_
Castellano_
Catalan_
Deutsch_
Nederlands_
English_
Français_
Italiano_
Polski_
Português_
Russkyi_
Suomi_
Svenska_
Türkçe_
_The.Supplement
The First Few Lines of The Last 10 posts in:
Castellano_
Deutsch_
Nederlands_
English_
Français_
Italiano_
Polski_
Português_
Russkyi_
Suomi_
Svenska_
Türkçe_
First few lines of all posts of last 24 hours |
of past 30 days |
of 2002 |
of 2003 |
of 2004 |
of 2005 |
of 2006 |
of 2007 |
of 2008 |
of 2009 |
of 2010 |
of 2011 |
of 2012 |
of 2013 |
of 2014 |
of 2015 |
of 2016 |
of 2017 |
of 2018 |
of 2019 |
of 2020 |
of 2021 |
of 2022 |
of 2023 |
of 2024 |
of 2025 |
of 2026
Syndication Of A-Infos - including
RDF - How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups
(pt) Spaine, Regeneracion: A Relevância Duradoura do Congresso Anarquista de Amsterdã - O Debate sobre Questões Organizacionais Por Liza (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Fri, 3 Apr 2026 08:56:26 +0300
Aprofundamos um dos eventos históricos mais importantes do nosso
movimento internacional. O Congresso Anarquista Internacional, realizado
em Amsterdã em agosto de 1907, constitui um dos momentos mais
significativos da história do anarquismo organizado, não tanto pelas
resoluções formais adotadas, mas pela profundidade dos debates que ali
ocorreram. Após a experiência fracassada da AIT (Associação
Internacional dos Trabalhadores), o movimento anarquista buscava uma
renovação organizacional e estratégica. Nossa tradição política estava
se deparando com as limitações de suas práticas tradicionais e,
consequentemente, com a necessidade de desenvolver estratégias mais
coerentes diante de um movimento operário em rápida transformação.
O contexto em que o congresso foi realizado era de recomposição do
movimento operário internacional. Na França, a CGT (Confederação Geral
do Trabalho) havia se tornado uma força motriz do sindicalismo
revolucionário. Essa federação trabalhista empregou a ação direta, a
autonomia operária e a greve geral como ferramentas centrais para
pavimentar o caminho para a Greve Geral Insurrecional. Nos Estados
Unidos, a fundação do IWW (Trabalhadores Industriais do Mundo) iniciou
um processo semelhante para articular uma organização de massas, baseada
em sindicatos, com uma perspectiva revolucionária. Por outro lado, o
anarquismo carregava um legado contraditório: um discurso simbolicamente
radical versus uma prática fragmentada, marcada por vezes pelo
individualismo, pelo localismo, pela falta de continuidade estratégica e
pela ausência de estruturas próprias.
Em Amsterdã, figuras-chave do anarquismo internacional, como Errico
Malatesta, Pierre Monatte, Christiaan Cornelissen, Emma Goldman, Rudolf
Rocker, Luigi Fabbri e Amédée Dunois, se encontraram. Além de suas
diferenças políticas ou pessoais, todos compartilhavam a percepção de
que o anarquismo precisava esclarecer sua relação com a luta de classes
e com as organizações de massa, especialmente os sindicatos. O principal
debate girava precisamente em torno desta questão: se o anarquismo
deveria ser concebido como uma corrente política e ideológica
relativamente autônoma, intervindo no movimento operário sem se fundir a
ele, ou se deveria se fundir organicamente ao sindicalismo
revolucionário, adotando-o como sua principal ferramenta estratégica.
Errico Malatesta foi uma das vozes mais influentes na defesa da primeira
posição. Para ele, o anarquismo não podia ser reduzido a uma expressão
espontânea da luta econômica do proletariado. Considerava que os
sindicatos, embora necessários e úteis como instrumentos de resistência
e melhoria imediata das condições de vida, tendiam inevitavelmente à
moderação, ao reformismo e à burocratização. Portanto, sustentava que os
anarquistas deveriam manter sua independência organizacional e
ideológica, atuando dentro das organizações operárias como
propagandistas e agitadores, mas sem subordinar seu projeto
revolucionário à dinâmica do sindicalismo. Nessa perspectiva, a
principal função da organização anarquista era preservar e desenvolver
um horizonte ético e político radical, capaz de transcender as demandas
imediatas e preparar as massas para uma profunda transformação social.
Errico Malatesta foi uma das vozes mais influentes na defesa da primeira
posição. "As organizações operárias, necessárias para a resistência
diária, podem facilmente se tornar forças conservadoras se não forem
constantemente animadas por um ideal revolucionário."
E. Malatesta
Em contraste com essa visão, Pierre Monatte e outros ativistas ligados
ao sindicalismo revolucionário defenderam uma concepção muito mais
integrada do anarquismo e do movimento operário. Para eles, a luta de
classes não era apenas um terreno para intervenção tática, mas o próprio
cerne do projeto libertário. Sustentavam que o sindicalismo
revolucionário, baseado na ação direta, na autogestão e na solidariedade
operária, incorporava muitos dos princípios fundamentais do anarquismo
na prática. Nessa perspectiva, os sindicatos não eram meros instrumentos
de luta econômica, mas o embrião de uma futura sociedade libertária, as
estruturas por meio das quais a classe trabalhadora poderia organizar a
produção e a vida social após a abolição do capitalismo e do Estado.
"O sindicalismo não é uma doutrina, mas um movimento; sua força reside
na ação direta e na organização consciente das massas trabalhadoras."
P. Monatte
Essa divergência não se limitava a uma discussão teórica ou abstrata,
mas envolvia diferenças táticas e estratégicas muito concretas. Uma
delas era a questão da neutralidade política das organizações de massa.
Muitos sindicalistas revolucionários argumentavam que os sindicatos
deveriam permanecer formalmente neutros, abertos a trabalhadores de
diversas correntes ideológicas, para preservar a unidade do movimento
operário. Nessa perspectiva, os anarquistas atuariam como uma minoria
ativa dentro dos sindicatos, influenciando pelo exemplo e pela prática,
mas sem impor um rótulo ideológico explícito e ostensivo. Outros,
contudo, temiam que a prática sem desenvolvimento teórico e estratégico
levasse à diluição do conteúdo revolucionário, facilitando uma
degeneração reformista ou autoritária.
Além disso, um aspecto fundamental do debate foi a própria organização
interna do anarquismo. Embora o congresso não tenha adotado resoluções
claras sobre o assunto, uma preocupação compartilhada com a fragmentação
e a falta de coordenação do movimento era evidente. A tendência de se
basear exclusivamente na espontaneidade ou na iniciativa individual, sem
construir estruturas estáveis capazes de sustentar uma intervenção
contínua na luta social, foi criticada. Essas discussões prenunciaram
problemas que irromperiam com maior força após a Revolução Russa e que
dariam origem, anos mais tarde, ao debate em torno da Plataforma Dielo
Truda, onde se levantou explicitamente a necessidade de uma organização
anarquista com unidade teórica e tática e responsabilidade coletiva.
Em relação à organização anarquista, Emma Goldman, uma das principais
pensadoras do movimento libertário, enfatizou a importância da autonomia
individual do militante anarquista:
"Eu também sou a favor da organização em princípio. No entanto, temo
que, mais cedo ou mais tarde, isso caia no exclusivismo... Aceitarei a
organização anarquista sob uma única condição: que ela se baseie no
respeito absoluto a todas as iniciativas individuais e não obstrua seu
desenvolvimento ou evolução. O princípio essencial da anarquia é a
autonomia individual."
A relação entre "organização anarquista" e "as massas" era central.
Ficou claro que a revolução social não poderia ser obra de minorias
conspiratórias ou elites hiperideologizadas, mas sim das massas
trabalhadoras organizadas. Contudo, persistia a tensão entre confiar na
capacidade autônoma das massas para desenvolver uma consciência
revolucionária e a necessidade de uma intervenção política consciente
para orientar esse processo. Para o setor oriundo do sindicalismo
francês, a experiência diária de exploração e luta era suficiente para
gerar práticas libertárias; para outros, sem um quadro ideológico e
estratégico mais claro, o movimento de massas corria o risco de
permanecer estagnado em reformas parciais ou de ser cooptado por forças
oportunistas e/ou reformistas.
Embora essas tensões permanecessem sem solução, elas tiveram o mérito de
serem levantadas abertamente. Seus debates marcaram uma mudança em
direção a um maior foco em organização, estratégia e engajamento genuíno
na luta de classes. Revelaram também a diversidade interna do anarquismo
e a dificuldade de articular uma relação estável - e coerente - entre os
princípios libertários, a organização política e o movimento de massas.
A Organização Revolucionária.
Mais de um século depois, muitas das questões levantadas em 1907
permanecem centrais nos debates anarquistas contemporâneos: como
organizar sem reproduzir hierarquias, como intervir nas lutas sociais
sem diluir o projeto emancipatório e como articular a relação entre
teoria, prática e as massas populares. Mesmo naquela época, discutia-se
a necessidade de uma ação política ética. Claramente, seu conteúdo era
diferente do que é hoje. Contudo, podemos observar como a questão
prefigurativa de nossa práxis continua a permear o movimento libertário.
Diante das experiências históricas, tanto remotas quanto recentes, fica
evidente que o perigo do desvio reformista é muito real. A militância
parcial e individualista nos conduziu a uma prática contraditória e
amorfa, como indicaram os debates mencionados. Além disso, outro
participante do congresso mencionado, Christiaan Cornelissen, em sua
obra *Comunismo Libertário e Regime de Transição*, afirmou o seguinte a
respeito das práticas individualistas e voluntaristas dos camaradas
libertários na Rússia:
"Nossos camaradas anarquistas que, por amor à liberdade e à
independência pessoal, esquecem essa verdade fundamental, sofrerão no
futuro o mesmo destino dos anarquistas durante a Revolução Russa: não
terão influência efetiva, mas serão precisamente úteis para ajudar os
social-democratas marxistas e estatistas a chegarem ao poder.
Provavelmente serão fuzilados ou presos depois de terem dado, em vão, o
melhor de si à revolução social."
O debate sobre a organização revolucionária anarquista, como podemos
ver, permanece em aberto. Deixar-se levar pela corrente dos
acontecimentos ou agir na esteira de outros movimentos devido à falta de
um programa comum é um erro histórico em que nos deparamos em diversas
ocasiões. Décadas depois, Fontenis, em seu Manifesto Comunista
Libertário, escreveu o seguinte sobre a necessidade de organização
revolucionária:
"A vanguarda revolucionária certamente exerce um papel orientador e de
liderança em relação ao movimento de massas. Argumentos a favor disso
são irrelevantes para nós, pois que outra utilidade teria uma
organização revolucionária? Sua própria existência atesta seu caráter
orientador e de liderança. A verdadeira questão é como esse papel é
compreendido, que significado damos à palavra 'orientar'. A organização
revolucionária tende a se criar a partir do fato de que a maioria dos
trabalhadores conscientes sente sua necessidade ao se deparar com o
processo desigual e a coesão inadequada das massas."
Outro evento histórico para o anarquismo foi a Revolução de 1936,
centrada na Catalunha, Aragão e Comunidade Valenciana. Após aceitar um
governo de partilha de poder com setores da burguesia, emergiu um setor
popular insatisfeito com a linha oficial da CNT-FAI: os Amigos de
Durruti. Altamente críticos da colaboração com o Estado republicano e da
incapacidade de concluir o processo revolucionário, chegaram a afirmar o
seguinte:
"A ausência de um programa claro permitiu que a contrarrevolução se
reagrupasse. Em maio, havia forças suficientes para impor o poder operário."
Conclusões
A relação entre os militantes mais comprometidos e as massas é de tensão
constante. A linha que separa liderar um processo revolucionário e atuar
como uma "vanguarda esclarecida", engajada em discussões teóricas
completamente alheias à nossa classe, é tênue. Em última análise, essa
tensão deve ser uma relação dialética que se reforça mutuamente, e não
uma dicotomia vaga. Não existem militantes sem experiência prática na
linha de frente; Organizações revolucionárias não podem existir se essa
necessidade não for diagnosticada, dadas as limitações nas frentes de
batalha, e tais estruturas jamais serão referenciadas pelas massas se o
trabalho dos militantes nas frentes não for reconhecido.
Por outro lado, este é um debate vibrante e inspirador. Diante dos
atritos teóricos que podem surgir entre o anarcossindicalismo e o
plataformismo contemporâneo, significa que fazemos parte de algo em
movimento. Um anarquismo que diagnostica limitações e busca soluções. Um
movimento que se reconstrói com base na discussão fraterna e no
confronto diário com a realidade.
O que fica claro é que, ao longo da história, muitos camaradas
anarquistas perceberam a necessidade de organização, de um programa e de
unidade. Além de estarmos envolvidos em lutas mais amplas, também nos
reunimos como anarquistas para parar, refletir, aprimorar e agir. Não
por fetichismo organizacional ou estético, mas por necessidade política.
O Congresso Anarquista de Amsterdã revela as genealogias de um debate
que permanece vivo, uma chama que mantemos acesa.
HkBk, membro da Liza Granada.
Links para leitura complementar:
O Congresso Anarquista de Amsterdã de 1907
https://www.antorcha.net/biblioteca_virtual/historia/amsterdam/indice.html
V. Griffuelhes, Sindicalismo Revolucionário
https://www.solidaridadobrera.org/ateneo_nacho/libros/Victor%20Griffuelhes%20-%20El%20sindicalismo%20revolucionario.pdf
F. Pelloutier, História das Bolsas de Trabalho: As Origens do
Sindicalismo Revolucionário
https://www.solidaridadobrera.org/ateneo_nacho/libros/Fernand%20Pelloutier%20%20Historia%20de%20las%20Bolsas%20del%20Trabajo.pdf
E. Pouget Direto Ação
http://solidaridadobrera.org/ateneo_nacho/libros/Emile%20Pouget%20-%20La%20accion%20directa.pdf
E. Pouget Sabotagem
https://www.solidaridadobrera.org/ateneo_nacho/libros/Emile%20Pouget%20-%20El%20sabotaje.pdf
A. Guillamón Os Amigos de Durruti História e Antologia de Textos
https://bibliothequedumarxisme.wordpress.com/wp-content/uploads/2019/08/los_amigos_de_durruti._historia_y_antologc38da_de_textos_-_agustc3adn_guillamon.pdf
C. Cornelissen, Comunismo Libertário e a Transição Regime
https://www.solidaridadobrera.org/ateneo_nacho/libros/Christiaan%20Cornelissen%20-%20Comunismo%20libertario%20y%20regimen%20de%20transicion.pdf
G. Fontenis, O Manifesto Comunista Libertário
https://mirror.anarhija.net/es.theanarchistlibrary.org/mirror/g/gf/george-fontenis-manifiesto-comunista-libertario.c109.pdf
https://regeneracionlibertaria.org/2026/03/02/la-vigencia-del-congreso-anarquista-de-amsterdam/
_________________________________________
A - I n f o s Uma Agencia De Noticias
De, Por e Para Anarquistas
Send news reports to A-infos-pt mailing list
A-infos-pt@ainfos.ca
Subscribe/Unsubscribe https://ainfos.ca/mailman/listinfo/a-infos-pt
Archive http://ainfos.ca/pt
- Prev by Date:
(pt) Italy, UCADI, #205 - Diário Italiano (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
- Next by Date:
(tr) France, Monde Libertaire - Femmes Libres (Özgür Kadınlar) programının Mart 2026 bölümü (ca, de, en, fr, it, pt)[makine çevirisi]
A-Infos Information Center