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(pt) Spaine, Regeneracion: A Cultura Anárquica dos Comuns - O Fundamento de um Imaginário Coletivo Subversivo (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]

Date Sat, 21 Mar 2026 08:47:27 +0200


Comecemos pelo óbvio: no capitalismo, os problemas comuns raramente são resolvidos pelas pessoas diretamente envolvidas. Embora as relações hegemônicas em nossa sociedade - aquelas que moldam os modelos sociais dominantes - sejam estruturadas com base na dominação política, elas não são, contudo, as relações majoritárias. As relações majoritárias são o que poderíamos chamar, em termos políticos amplos, de relações anarquistas; ou seja, relações não mediadas por comando e obediência.

Em nosso cotidiano, participamos mais da criação coletiva de regras (explícitas ou implícitas) do que da elaboração de leis, e assumimos mais responsabilidades do que ordens. Isso geralmente não é considerado dessa forma, é claro, nem mesmo por aqueles que nos cercam. Para a maioria das pessoas, a afirmação aristotélica de que no mundo algo sempre comanda e algo obedece parece irrefutável.

Essa preeminência dada às relações baseadas na dominação opera dentro de um paradigma de dominação justa que permeia quase toda a filosofia política, com pouquíssimas exceções. Segundo esse paradigma, as relações de dominação, de liderança, são inevitáveis. Não importa se são para sempre, visto que "o homem é o lobo do homem", ou apenas por um período, enquanto o conduzem pelo "caminho da verdade", mas a dominação política seria justa e necessária.

Essa visão, constantemente contestada pelas ideias e práticas dos espaços autoinstitucionalizados, tende a invisibilizar a multiplicidade de relações existentes. E é justamente nessa multiplicidade que encontramos respaldo para desmantelar suas premissas estabelecidas. Embora invisível, a autoinstitucionalização, essa série de processos pelos quais os bens comuns são produzidos e sustentados sem mediação hierárquica, é parte fundamental das lutas antagônicas e do cotidiano das comunidades.

Na política, porém, não há medo maior do que o dos oprimidos, da ralé, dos pobres. A ideia da necessidade de representação da vontade e de liderança encontrou respaldo, repetidas vezes, nesse medo. Mesmo para a maioria dos críticos do populismo atual, o verdadeiro problema, como se fosse uma essência maligna, um monstro adormecido, reside nas classes subordinadas. O "pecado" dos partidos populistas, em todo caso, seria exacerbar, libertar esse mal.

Para rejeitar qualquer visão elitista e paralisante que transforme a anarquia em privilégio de uma minoria esclarecida, precisamos reexaminar as noções que nos definem. Hoje, mesmo em nossas iniciativas, parece haver menos clareza - ou consenso - sobre o que exatamente estamos defendendo.

Duas Maneiras de Compreender os Bens Comuns

Uma concepção de comunidade baseada na identidade - entendida como um conjunto estável de características compartilhadas por um grupo humano, em última análise, uma propriedade comum - contrasta com uma noção mais ampla, entendida como uma forma de ser em comum. Nessa concepção mais dinâmica e relacional de comunidade, as pessoas não são meros receptores passivos de uma propriedade, mas parte fundamental de um processo contínuo e coletivo de construção. Portanto, a comunidade não é algo externo, nada "fora" das próprias pessoas. Tampouco, entende-se, é um bem imutável e possuído que deva ser defendido.

Em vez disso, a comunidade surge por meio das relações em que as pessoas estabelecem os bens comuns e em que, ao mesmo tempo, essas mesmas relações os estabelecem. Estabelecer, então, refere-se aos processos pelos quais as pessoas sustentam a vida coletiva: elas lhe dão sentido, a protegem e organizam sua continuidade. Agir como se todos esses processos pertencessem de alguma forma ao Estado - isto é, identificar a sociedade com o Estado - é tão equivocado quanto pensar que eles estão livres da interferência dos mecanismos estatais.

O paradigma político baseado na identidade, portanto, reproduz uma visão bastante limitada desses processos e do papel dos indivíduos na criação do bem comum. Embora, no processo de instituição conjunta da realidade, o novo não surja do nada, mas sim do que já foi estabelecido, ele nunca é uma reprodução exata do que já existe. Cada pessoa, ao se relacionar com o mundo e com os outros, o recria, sempre o modificando. O novo inevitavelmente surge, embora transformar fundamentalmente o que foi historicamente estabelecido não seja fácil.

O bem comum nunca é algo estático, separado ou superior às pessoas que o compõem, como sugere a perspectiva identitária. O bem comum é uma copresença, um estar junto, uma partilha que se torna uma responsabilidade ética para com os outros. Pode parecer óbvio, mas o fato de as pessoas viverem juntas significa que estão envolvidas umas com as outras, e não apenas lado a lado. Essa visão distorcida de como a realidade se estabelece contribui para a reprodução da ordem vigente, gerando uma ideia que nos desconecta do processo.

Alteridade e Coenvolvimento

No paradigma identitário, a alteridade - qualquer relação com o outro - também é considerada um processo negativo. A relação não é produtiva; pelo contrário, é sempre uma relação de estagnação. Ao papel passivo atribuído às pessoas na construção do bem comum, soma-se a interpretação da interação social como um conflito contínuo entre indivíduos que negociam sua sobrevivência.

Essa ontologia individualista, amplamente associada à ideia liberal - sujeitos independentes ou, na melhor das hipóteses, relações intersubjetivas - não consegue descrever adequadamente as relações entre as pessoas. Mesmo quando se sugere que algo fundamentalmente positivo possa emergir da negação do outro, a visão dos limites é sempre negativa. Isso levou à interpretação errônea de que o anarquismo é meramente um reflexo do poder político estabelecido. Esse erro explica, ao menos em parte, um certo antagonismo e reducionismo falaciosos entre as capacidades destituintes e instituidoras dos movimentos antagônicos e antiautoritários.

Contudo, é possível conceber a alteridade a partir de uma perspectiva diferente, que implica uma experiência distinta dos limites. Não somos obrigados a sobreviver aos outros; antes, nossa singularidade, nós mesmos, emerge de uma vasta série de relações - não apenas de negação - que estabelecemos com eles. Ao contrário do que afirmam aqueles que alimentam o medo do outro, as outras pessoas são a própria condição de possibilidade para todos os nossos desenvolvimentos possíveis, tanto bons quanto ruins. Aqueles que nos cercam fazem parte de quem somos, e na alteridade aumentamos ou diminuímos nosso próprio potencial.

A relação entre os indivíduos e seu ambiente, portanto, é de co-implicação e co-funcionamento, não de separação ou mera negação. O que é comum é o que emerge dessa relação. Pensar a comunidade e suas relações a partir da perspectiva da diferença e da alteridade desafia uma certa pretensão autoritária de uniformidade e homogeneidade dentro das comunidades.

Uma Configuração Anárquica do Comum

Ao abandonar a ideia de uma alteridade sempre negativa e de sujeitos substanciais, podemos avançar para o desafio de pensar o comum como a própria condição para desenvolvimentos coletivos antiautoritários, onde a diferença se torna produtiva. O comum é o terreno do conflito e a condição de possibilidade para a criação anárquica: a auto-instituição. A singularidade e a vitalidade desse tipo de criação residem em práticas que dispensam tanto a liderança externa quanto a interna, assim como qualquer forma de representação ou passividade.

A cultura dos comuns deve enfatizar a natureza contingente, relacional e transformadora do estar junto. A contingência inerente à vida reforça essa proposição. Na prática, a auto-instituição, por sua vez, implica a rejeição da representação e de qualquer conexão com princípios abstratos e universais que se colocam acima das pessoas. Portanto, embora propostas de todos os tipos sejam extremamente importantes, não há lugar para modelos com pretensões universalistas que busquem substituir os envolvidos ou tentar abarcar toda a complexidade social.

Uma figuração anárquica da cultura dos comuns pode emergir no imaginário coletivo como a afirmação e a máxima potencialização do poder coletivo.

Estabelecendo a Diferença

Não devemos nos preocupar com o comum, no sentido de que ele simplesmente já existe, mas sim com as possibilidades que se abrem quando pensamos nele de maneira diferente. Por que nos apegar a uma ideia de alteridade que não reconhece as infinitas possibilidades de interação? Por que aderir a um elitismo que reduz a anarquia ao excepcional?

O antagonismo entre construção e destruição é falso. O anarquismo não pode ser reduzido à simples negação ou reação especular da ordem estabelecida, que, embora a condicione, não pode determiná-la. Na prática, a negação, como destruição parcial ou total do mundo estabelecido, é inseparável da instituição e, ao mesmo tempo, de outros mundos. Mesmo de uma perspectiva insurrecional, não há fim para o capitalismo sem mais "instituições anarquistas", ou seja, sem generalizar esse apoio à vida coletiva em uma chave antiautoritária. Portanto, rejeitar a necessidade de uma projeção anarquista já equivale a um fracasso.

Ao mesmo tempo, o anarquismo não pode ser reduzido a uma construção paródica onde, de alguma forma, um ideal futuro é vivenciado. As práticas anarquistas afirmam e amplificam poderes comuns, transformações e conflitos no presente. A projeção dos movimentos, o impulso projetivo das capacidades das bases, não implica a criação de modelos únicos ou o combate a monstros com monstros. A autocriação é sempre provisória, aberta e mutável. É o campo de batalha do possível.

O que defendemos não pertence ao futuro, nem é abstrato, nem está fora de nós ou acima de nós. Não há anarquismo sem sujar as mãos; a luta para generalizar a autocriação dos bens comuns não garante resultados, mas precisamente por isso, torna tudo possível.

Regino Martinez, membro do movimento anarquista e do jornal de Montevidéu

https://regeneracionlibertaria.org/2026/02/11/la-cultura-anarquica-de-lo-comun/
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