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(pt) Brazil, OSL, Libera #183 - AS CLASSES SOCIAIS NO CAPITALISMO-ESTATISMO: NOÇÕES DE TEORIA SOCIAL LIBERTÁRIA - Felipe Corrêa (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Sun, 8 Feb 2026 08:03:59 +0200
Este artigo tem por objetivo apresentar e discutir, desde uma
perspectiva teórica e libertária, o conceito de classes sociais no
capitalismo-estatismo. Em termos metodológicos, trata-se de um trabalho
bibliográfico na área da teoria social, que toma como base autores
anarquistas clássicos e contemporâneos e, a partir deles, faz a
exposição de um esboço inicial de teoria libertária das classes sociais,
a qual se distingue das concepções hegemônicas e tem condições de
subsidiar análises contemporâneas.
PARA UMA TEORIA SOCIAL LIBERTÁRIA
Aquilo que se chama aqui de teoria social libertária é um esforço
recente que alguns pesquisadores - destacadamente aqueles vinculados ao
Instituto de Teoria e História Anarquista (ITHA), dentre os quais me
incluo - vêm empreendendo, no sentido de produzir uma teoria social
contemporânea, de inspiração libertária, capaz de subsidiar análises
concretas de diferentes realidades sociais do mundo moderno. E de
explicar os processos de reprodução e mudança/transformação dessas
realidades. Para tanto, essa teoria propõe a compreensão crítica dos
conflitos sociais (forças em jogo, relações de poder/dominação) e do
cenário (lógica estrutural, campos/esferas e instituições, estrutura e
conjuntura) em que se dão esses conflitos.
Quando falo em "teoria social libertária", inspiro-me na terminologia
utilizada por Alfredo Errandonea (1989, p. 7), em seu livro Sociología
de la Dominación. Essa teoria parte, principalmente, das contribuições
de pensadores clássicos do anarquismo, ou seja, daquilo que Lucien van
der Walt (2009, pp. 83, 113) chamou de "análise social anarquista", e,
ademais, incorpora aportes de autores posteriores por eles
influenciados. Ela também propõe diálogos críticos, tanto com autores
não anarquistas dessa tradição libertária, quanto com outros pensadores
clássicos e contemporâneos, sempre que essas interações sejam produtivas
e que não coloquem em xeque a coerência analítica do projeto em questão.1
Vale destacar que não se pretende que essa teoria social libertária seja
a única a representar o pensamento dos autores anarquistas ou
libertários, e nem sequer aquela que melhor representa todas as suas
contribuições, tendo em vista a diversidade filosófica e teórica que tem
marcado essa tradição. Tal teoria envolve uma das possibilidades que a
rica tradição anarquista e libertária proporciona para o campo analítico
contemporâneo.
-------------------------------------------------------------
[1]López (economista brasileiro), Bruno Lima Rocha (cientista político
brasileiro) e Felipe Corrêa (cientista social brasileiro, autor deste
artigo). Neste artigo, retomo alguns elementos das extensas
contribuições desses autores, tendo como foco apenas aquilo que pode
subsidiar a discussão sobre as classes sociais, que agora pretendo realizar.
[2]É crucial destacar que o termo "libertária/o" remete aqui à tradição
da esquerda socialista e comunista antiautoritária, federalista,
autogestionária e democrática, que existe desde o século XIX, e que
utiliza e reivindica o termo "libertário" e seus derivados desde o fim
dos anos 1850. (MCKAY, 2018) Dentre seus grandes representantes
históricos estão os anarquistas, mas também outros socialistas,
comunistas ou marxistas antiautoritários e heterodoxos.
ANARQUISMO E CLASSES SOCIAIS
É sempre importante recordar que o anarquismo é uma ideologia ou
doutrina política que, em seus mais de 150 anos de presença global, tem
considerado a questão das classes sociais como algo primordial. O
anarquismo surgiu no seio da Associação Internacional dos Trabalhadores
(AIT), como uma expressão socialista, revolucionária e antiautoritária
de um setor das classes oprimidas. Em toda sua trajetória, os
anarquistas vêm usufruindo das classes sociais em suas análises
classistas da realidade, em suas estratégias de luta de classes, em suas
concepções de transformação social, que incluem o fim das classes
sociais. (CORRÊA, 2022a)
Não se deve considerar essa posição como algum tipo de reducionismo de
classe. Isso porque os anarquistas sempre criticaram e combateram
variadas formas de dominação, que certamente incluíram classe, mas que
também envolveram nacionalidade, raça-etnia e gênero-sexualidade.
Contudo, um destacado traço nessa posição foi a vinculação histórica à
questão de classe das análises críticas e das lutas contra o
imperialismo, o racismo e o patriarcado. Por que isso ocorreu?
A resposta está no caráter único da desigualdade de classe. Entre todas
as relações sociais, é apenas a classe que envolve tanto a dominação
quanto a exploração; apenas as classes populares[oprimidas]são
exploradas e apenas as classes exploradas são capazes de criar uma
sociedade sem exploração, pois somente elas não têm interesse na
exploração. Se a exploração é um aspecto indissociável da sociedade
moderna, e se a liberdade humana exige a abolição da exploração, então é
apenas a luta de classes que pode emancipar a humanidade. Vistas dessa
perspectiva, as formas de opressão[dominação]que não são estritamente
redutíveis à classe - como gênero e raça - devem ser abordadas numa
perspectiva classista, pois isso estabelece a única base para a
emancipação geral; inversamente, é somente por meio do combate às
divisões na classe trabalhadora - divisões que se baseiam em preconceito
e discriminação injusta - que a revolução de classe, a única que pode
emancipar a humanidade, é possível. (VAN DER WALT, 2009, p. 111,
colchetes adicionados)
Essa concepção das classes sociais atravessou distintas práticas e
teorias anarquistas. Envolveu tanto suas dimensões "político-militante"
e "analítico-científica" (VAN DER WALT, 2018, p. 515), quanto seus
elementos estratégicos-programáticos: "análise da realidade passada e
presente, estrutural e conjuntural", "estratégias e táticas para
transformar a realidade" e "objetivos finalistas" (CORRÊA, 2014a, pp. 6, 8).
Apesar de tal amplitude, conforme apontado, este artigo toma em conta
apenas parte dessa dimensão analítico-científica. Mais especificamente,
aquela que se relaciona com a análise da realidade, desde um enfoque da
teoria social, e que visa a conceituar as classes sociais no sistema de
dominação ou modo de poder capitalista-estatista.
Essa abordagem libertária das classes sociais no capitalismo-estatismo,
quando comparada a outras, mostra-se, em certo sentido, inovadora.
Porque rompe com as perspectivas não relacionais e economicistas, ao
propor um enfoque relacional e multicausal, que parte das relações no
campo econômico, e avança para aquelas dos campos político e
moral/intelectual. Por isso, tal abordagem distingue-se daquelas que
compreendem as classes exclusivamente a partir de renda, riqueza ou
mesmo de propriedade dos meios de produção e/ou relações de exploração
do trabalho. Ela leva em conta tais elementos, mas os insere como parte
de uma estrutura sistêmica de dominação mais ampla, que é indispensável
na análise da sociedade capitalista-estatista.
CAPITALISMO-ESTATISMO: SISTEMA DE DOMINAÇÃO E MODO DE PODER
Apesar de mudanças substanciais e formas históricas específicas, é
possível dizer que a sociedade que se conforma na modernidade e que
perdura até o presente é a sociedade capitalista-estatista - ou,
simplesmente, o capitalismo-estatismo. Bakunin (2003, pp. 168, 228)
referiu-se a essa sociedade, dentre outras maneiras, como "sistema
capitalista" e "sistema estatista". Malatesta (2000, p. 21; 1999a, p.
190; 2014a, p. 436) também utilizou "sistema capitalista" e, entre
outros termos, empregou "sistema social" e "ordem capitalista e estatista".
Numa análise que se pode chamar de horizontal2, ambos propuseram dividir
analiticamente a estrutura macrossocial desse sistema em três partes.
Bakunin (2014a, pp. 256-257) distinguiu entre "organização econômica" ou
"fatos econômicos", "desenvolvimentos[...]políticos e jurídicos" ou
"fatos[...]políticos", e "desenvolvimento das ideias" ou "fatos
intelectuais e morais". Malatesta (2014b, p. 528; 2014c, p. 230; 2000,
p. 11) referiu-se a certa "configuração econômica, política e moral" da
sociedade; reivindicou a "resistência econômica", a "resistência
política" e a "resistência moral"; relacionou a questão moral com a
intelectual.
Baseando-se na terminologia malatestiana, cada uma dessas partes pode
ser chamada de campo3, e o sistema capitalista-estatista pode ser
analiticamente dividido em três campos: campo econômico, campo político
e campo intelectual-moral.4 Esse sistema reúne o conjunto dos "meios de
vida", ou seja, a totalidade dos meios econômicos (produção e troca),
dos meios políticos (governo e repressão) e dos meios
intelectuais-morais (comunicação e instrução). (CORRÊA, 2022b)
Além disso, tanto Bakunin (2003, pp. 35-36, 71-73, 228; 2009a, p. 49)
quanto Malatesta (2001, p. 23; 1989, p. 141) destacaram o caráter
sistêmico dessa sociedade, que articula de maneira interdependente e
indissociável esses campos e meios de vida, ou seja, economia
capitalista, Estado moderno e grandes instituições de comunicação e
instrução (religião e educação, principalmente). A terminologia
malatestiana também permite nomear essa noção de indissociabilidade dos
três campos.5 (MALATESTA, 1999c, p. 58)
Quando se fala em "sistema capitalista-estatista" destaca-se,
concomitantemente, os caráteres sistêmico e extraeconômico da sociedade
moderna, ambos sustentados por Bakunin e Malatesta. Errandonea (1989)
conceitua essa sociedade como um "sistema de dominação", na medida em
que possui uma estrutura de classes, na qual se estabelecem relações de
dominação entre classes dominantes e classes oprimidas, e entre outros
agrupamentos sociais. Jonathan Nitzan e Shimshon Bichler (2009) a ele se
referem como um "modo de poder", ou seja, uma ordem que possui um
impulso estrutural para a acumulação de capital e na qual prevalecem
relações de poder e dominação.
Isso nos permite afirmar que a sociedade moderna é um sistema de
dominação capitalista-estatista, um modo de poder capitalista-estatista
histórico, cuja estrutura de classes é marcada por relações de dominação
duráveis e hegemônicas, e que abarca outras formas de dominação.
DOMINAÇÃO, PROPRIEDADE E PRIVILÉGIO
Para Bakunin e Malatesta, sistema de dominação capitalista-estatista,
como outras sociedades históricas, explica-se, principalmente, em função
de seus conflitos sociais, de suas relações de poder e dominação.
(BAKUNIN, 2009a, p. 34; MALATESTA, 2020) Errandonea, Nitzan e Bichler
também colocam em foco os conceitos de poder e dominação. Agora, por
mais que Bakunin, Malatesta e outros clássicos anarquistas tenham
tendido a considerar poder e dominação praticamente como sinônimos,
entendo ser importante, a partir de López (2001, pp. 121-130), insistir
na distinção entre ambos os conceitos, colocando a dominação como uma
forma - ainda que não a única - de poder.6
López (2001, pp. 61-62, 121-130) define o poder como uma "relação
social" que resulta do "enfrentamento entre as forças sociais" - sejam
elas classistas, grupais ou individuais -, assim que uma(s) força social
se impõe(m) a outra(s). "É este ato de imposição de uma força sobre sua
oposição que chamamos de poder." Ele ainda aponta que, em termos
históricos, pode-se conceber o poder em duas grandes formas ou modelos:
o poder dominador (dominação) e o poder autogestionário (autogestão).
A dominação, aqui considerada uma forma histórica de poder, é concebida
por Bakunin, em termos macrossociais, como relação social que resulta do
enfrentamento entre forças sociais, em que alguns (em geral uma minoria
com maior força social) se impõem sobre outros (em geral uma maioria com
menor força social) e usufruem dessa imposição para se tornarem
autoridades artificiais e obterem privilégios econômicos e não
econômicos. Trata-se, portanto, de uma relação entre uma minoria
privilegiada e uma maioria desprivilegiada para benefício da primeira e
em detrimento da segunda. (CORRÊA, 2019a, p. 457)
Bakunin e Malatesta compreendem o modo de poder capitalista-estatista
como uma sociedade profundamente marcada pela dominação. (BAKUNIN, 2003;
MALATESTA, 2001) Dominação que, em termos econômicos, políticos e
intelectuais-morais, se expressa em quatro formas, conforme indica
Malatesta.
No campo econômico, a dominação econômica ou "exploração do trabalho",
característica central da economia capitalista.7 No campo político, duas
formas de dominação política são promovidas pelo Estado moderno. A
primeira, a utilização da "força brutal", da "violência física", ou,
simplesmente, coerção física. A segunda, "faculdade de fazer as leis
para regular a relação dos homens entre eles e fazer executar essas
leis", ou simplesmente dominação político-burocrática. No campo
intelectual-moral, a dominação intelectual-moral ou "poder religioso,
universitário"8. (MALATESTA, 2001, pp. 18, 23, 42)
Importante notar aqui que a dominação, nessas formas, foi estabelecida
historicamente e é, ao mesmo tempo, causa e efeito da propriedade
capitalista-estatista (privada ou nacional/estatal) dos meios
econômicos, políticos e intelectuais-morais, e de diferentes
privilégios. Ou seja, há um ciclo ou relação de reforço mútuo entre
dominação e propriedade-privilégios nos três campos, sendo isso que
explica a lógica estrutural/sistêmica do capitalismo-estatismo, cujo
traço essencial é a acumulação permanente de capital econômico, capital
político e capital intelectual-moral.
AS CLASSES SOCIAIS NO CAPITALISMO-ESTATISMO
Para Bakunin, as sociedades históricas vêm sendo atravessadas por uma
cisão entre classes sociais, contrapondo oprimidos-dominados e
dominadores-opressores.
Desde que existe uma história, o mundo humano foi partilhado em duas
classes: a imensa maioria, acorrentada a um trabalho mais ou menos
mecânico, brutal e forçado; os milhões de trabalhadores, eternamente
explorados, passando sua triste vida numa miséria vizinha à fome, na
ignorância e na escravidão, e condenados, por isso mesmo, a uma eterna
obediência. Depois, por outro lado, a minoria mais ou menos feliz,
instruída, refinada, exploradora, dominante, governante, consumindo a
melhor parte do trabalho coletivo das massas populares e representando
toda a civilização. (BAKUNIN, 2017, pp. 453-454)
No capitalismo-estatismo, essa contradição entre as classes permanece,
conforme argumenta Malatesta:
Através de uma rede complicada de lutas de todos os tipos, invasões,
guerras, rebeliões, repressões, concessões feitas e retomadas,
associação dos vencidos, unidos para se defenderem, e dos vencedores,
para atacarem, chegou-se ao estado atual da sociedade, em que alguns
homens detêm hereditariamente a terra e todas as riquezas sociais,
enquanto a grande massa, privada de tudo, é frustrada e oprimida por um
punhado de proprietários.
Disto depende o estado de miséria em que se encontram geralmente os
trabalhadores, e todos os males decorrentes: ignorância, crime,
prostituição, definhamento físico, abjeção moral, morte prematura. Daí a
constituição de uma classe especial (o governo) que, provida dos meios
materiais de repressão, tem por missão legalizar e defender os
proprietários contra as reivindicações do proletariado. Ele se serve, em
seguida, da força que possui para arrogar-se privilégios e submeter, se
ela pode fazê-lo, à sua própria supremacia, a classe dos proprietários.
Disso decorre a formação de outra classe especial (o clero), que por uma
série de fábulas relativas à vontade de Deus, à vida futura, etc.,
procura conduzir os oprimidos a suportarem docilmente o opressor, o
governo, os interesses dos proprietários e os seus próprios. (MALATESTA,
2000, pp. 8-9)
Antes de tudo, é importante ressaltar que, se as classes sociais são um
traço fundamental das sociedades históricas, no sistema de dominação
capitalista-estatista isso não é diferente. Entretanto, o que se há
nessa sociedade é uma estrutura em que as classes sociais concretas
apresentam uma configuração específica, visto que elas variam de acordo
com o contexto histórico (espaço e tempo). Quando se estabelece um novo
sistema, classes ascendem, tornam-se mais e menos significativas, surgem
e desaparecem.
Para a emergência do modo de poder capitalista-estatista, foram
relevantes, em termos de estrutura de classes, tanto a ascensão da
burguesia e da burocracia moderna, quanto o desenvolvimento do
proletariado urbano e rural. Foi também marcante a incorporação de
antigos latifundiários e camponeses, ambos de relevância decrescente, e
ainda de novos setores intermediários e de novos agentes religiosos,
acadêmicos e comunicacionais. (BAKUNIN, 2008; VAN DER WALT, 2009, pp.
48-52; CORRÊA, 2019a, pp. 464-491)
Essa estrutura de classes é o principal aspecto do
capitalismo-estatismo, e o conflito social entre classes dominantes e
classes oprimidas (luta de classes), sua principal contradição.
(ERRANDONEA, 1989) Bakunin afirmou que "a divisão da humanidade em
classes é sistêmica", e insistiu nessa centralidade, ainda que de
maneira não determinista, pois, para ele a luta de classes não é o único
conflito social da sociedade capitalista-estatista, e nem mesmo aquele
que determina todos os outros. (LEIER, 2009)
Para Bakunin, ainda, essa centralidade das classes sociais e da luta de
classes justifica-se por, pelo menos, três razões. "Primeiro, ela move a
política das discussões abstratas sobre 'justiça' e a ancora na
experiência". Experiência esta que media, por um lado, a estrutura de
classes, e, por outro, a consciência e as ações de classe. "Segundo, ela
demonstra que o 'povo' não é uma noção unificada, pois os interesses
materiais - classe - divide o povo". Por isso, não há uma sociedade; o
que há é uma sociedade de classes. "Independente de outras questões
poderem unir as pessoas, a classe permanece uma linha divisória
crucial". Terceiro, "o argumento sobre classe sugere que o foco nas
questões locais, nas questões de identidade, e nas reformas é
importante, mas nenhuma delas abarca a questão principal, a exploração,
que afeta a vasta maioria da humanidade". (LEIER, 2009) Nesse sentido, é
a classe, e apenas ela, que possui condições de unir os trabalhadores
para enfrentar o sistema de dominação capitalista-estatista e sua
estrutura de classes, para promover uma transformação revolucionária que
garanta o fim da dominação e das classes sociais.
Tanto Bakunin (2008, p. 75) quanto Malatesta (2001, p. 42) discutiram
inúmeras vezes a questão da exploração do trabalho, e sempre
reconheceram sua importância no capitalismo-estatismo. Por exemplo, o
primeiro criticou, nessa sociedade, a "exploração de trabalho coletivo
por indivíduos que não possuem nenhum direito a fazê-la"; o segundo
reconheceu "na propriedade individual e no governo" as raízes da
"exploração do trabalho de todos por um punhado de privilegiados".
Contudo, ambos não restringiram sua definição de classes sociais e da
luta de classes a critérios puramente econômicos e/ou vinculados ao
âmbito do trabalho, como no caso do conceito de exploração. Note-se que,
nas citações que abrem esta parte do artigo, quando Bakunin e Malatesta
discutem as classes sociais, além dos critérios econômicos (exploração,
trabalho, pobreza), eles abordam também critérios políticos (governo,
violência, mando-obediência) e critérios intelectuais-morais (educação,
instrução, saber). (BAKUNIN, 2017, pp. 453-454; MALATESTA, 2000, pp. 8-9)
Os dois, portanto, extrapolam a abordagem unidimensional, que define as
classes apenas por critérios econômicos e/ou pela exploração do
trabalho, e apontam para uma definição multidimensional, cujo fundamento
é o conceito mais amplo de dominação. Bakunin e Malatesta conceituam as
classes sociais a partir das quatro grandes formas de dominação que se
produzem nos campos econômico, político e intelectual moral - ou seja,
exploração do trabalho, coerção física, dominação político-burocrática e
dominação intelectual-moral -, e, ao mesmo tempo, da propriedade dos
meios de vida - ou seja, dos meios econômicos (produção e troca), dos
meios políticos (governo e repressão) e dos meios intelectuais-morais
(comunicação e instrução) - e dos privilégios vinculados a aos três
campos em questão.
De modo que, com base nesses dois clássicos anarquistas e naquilo que
foi discutido até o momento, é possível sintetizar teoricamente o
conceito de classes sociais como agrupamentos humanos históricos e
estáveis que são produzidos e reproduzidos pelas relações macrossociais
de dominação, pela propriedade privada ou nacional/estatal dos meios de
vida e pelos privilégios que existem nos campos econômico, político e
intelectual-moral.
Entre os fins do século XIX e o início do século XX, Bakunin e Malatesta
identificaram as classes concretas que existiam em seu tempo e espaço.
Ambos apontaram um conjunto de classes dominantes e oprimidas bastante
semelhante. Entre as primeiras, indicaram latifundiários e burguesia
(proprietários dos meios de produção e troca ou meios econômicos),
burocracia (proprietários dos meios de governo e repressão ou meios
políticos), clero-sábios (proprietários dos meios de comunicação e
instrução ou meios intelectuais-morais). Entre as segundas, apontaram os
trabalhadores em sentido ampliado, ou seja, proletariado urbano
(trabalhadores assalariados das cidades), proletariado rural
(trabalhadores assalariados dos campos), campesinato (rendeiros e
pequenos proprietários) e marginalizados ou pobres em geral
(desempregados, mendigos, miseráveis etc.). (CORRÊA, 2019a, 460-462;
2022b, pp. 11-129)
Entre essas classes há luta de classes, essa expressão do conflito de
classes que coloca em lados contraditórios dominadores e oprimidos, cujo
acesso à propriedade e aos privilégios econômicos, políticos e
intelectuais-morais é profundamente desigual. Luta que é produzida em
razão da posição que os indivíduos e grupos ocupam na estrutura social -
e, portanto, de seus interesses estruturais de classe - e que se
fortalece ou enfraquece, se evidencia mais ou menos, graças à
experiência, à ação e à consciência desses sujeitos, ou seja, às
posições assumidas no conflito de classes. (BAKUNIN, 2001, p. 68; 2009a,
pp. 59-60; 2014b, p. 209)
A luta de classes possui distintas expressões. Ela se manifesta de
maneiras mais particulares, microssociais, quando envolve conflitos
pontuais, por exemplo, entre os proprietários (burgueses) de uma
indústria e os trabalhadores (proletários) nela empregados, ou entre um
grande proprietário de terras (latifundiário) e os camponeses a ele
submetidos. (BAKUNIN, 2007; MALATESTA, 2007) Mas, ela também se
manifesta de maneiras mais gerais, de maior envergadura, macrossociais,
entre dois amplos conjuntos: classes dominantes e classes oprimidas. Em
termos analíticos, estas últimas são as mais importantes, pois, como
indica Bakunin (1988, p. 16), "todas estas diferentes existências
políticas e sociais" - as classes sociais concretas e históricas -
"deixam-se hoje reduzir a duas categorias principais, diametralmente
opostas uma à outra, e inimigas naturais uma da outra: as classes
políticas[dominantes][...]e as classes operárias[oprimidas]".
Portanto, é possível dizer que, no modo de poder capitalista-estatista,
quando se opera essa redução analítica e teórica das classes sociais
concretas, há, de um lado, um conjunto de classes dominantes, composto
por uma ínfima minoria de latifundiários, burgueses, burocratas e
grandes produtores e difusores de crenças, conhecimentos e
informações10, que exploram (se apropriam dos excedentes do trabalho),
governam (reprimem e impõem a obediência) e enganam (impõem ideias,
valores, concepções de mundo) as classes oprimidas; de outro, um
conjunto de classes oprimidas, composto por uma imensa maioria de
trabalhadores em geral, ou proletários urbanos, proletários rurais,
camponeses e marginalizados, concomitantemente explorado, governado e
enganado pelas classes dominantes. Tal é o sentido adotado quando se
fala, nessa sociedade, em duas classes contraditórias.
Cabe, enfim, destacar que, conforme colocado, a dominação de classe não
é única e nem aquela que determina todas as outras formas de dominação e
conflitos sociais na sociedade capitalista-estatista.
Não é o propósito deste artigo discutir as outras grandes formas
históricas e estruturais de dominação dessa sociedade - a dominação
nacional (colonialismo/imperialismo), a dominação étnico-racial (racismo
estrutural) e a dominação de gênero e sexualidade (patriarcado) - assim
como sua relação com a dominação de classe, algo que vem sendo
desenvolvido em outros escritos, meus e de outros autores vinculados à
teoria social libertária. Ainda assim, cumpre apenas apontar que
colonialismo/imperialismo, racismo estrutural e patriarcado destacam-se
na produção, na reprodução e nas mudanças do capitalismo-estatismo e,
também das classes sociais e da própria dominação de classe. Ao mesmo
tempo em que as classes sociais têm marcado de maneira profunda essas
três formas de dominação. (VAN DER WALT, 2009)
APONTAMENTOS CONCLUSIVOS
De maneira conclusiva, é possível destacar um conjunto de aspectos que
sintetiza as posições sustentadas neste artigo. Antes de tudo, cumpre
reafirmar que os anarquistas clássicos em geral, e os autores que vêm
construindo a teoria social libertária em particular, não somente veem
nas classes elementos fundamentais da realidade social, mas possuem
aportes significativos para a discussão teórica acerca das classes
sociais no capitalismo-estatismo.
De acordo com o que foi discutido, a sociedade capitalista-estatista é
um sistema de dominação ou modo de poder, cuja lógica
estrutural/sistêmica é a acumulação permanente de capital econômico,
capital político e capital intelectual-moral, e cuja estrutura de
classes é seu principal aspecto, e o conflito entre classes dominantes e
classes oprimidas (luta de classes), sua principal contradição.
Esse sistema de dominação é resultado de um jogo de forças, um
enfrentamento histórico e macrossocial entre forças sociais, em que
algumas vêm se impondo sobre outras, e estabelecendo não apenas relações
de poder, mas de dominação. No modo de poder capitalista, tomando por
base um enfoque sistêmico/estrutural, a dominação é principalmente (mas
não apenas) dominação de classe, na medida em que envolve a propriedade
dos meios econômicos, políticos e intelectuais-morais, assim como
privilégios nesses três campos.
Classes sociais que são definidas, em perspectiva relacional e
multicausal, a partir das relações históricas e macrossociais de
dominação, da propriedade privada ou nacional/estatal dos meios de vida
e dos privilégios econômicos, políticos e intelectuais-morais. Ou seja,
são os enfrentamentos entre forças sociais de classe, assim como as
relações de dominação entre elas (classes dominantes e classes
oprimidas, especialmente) aquilo que mais explica essa sociedade em
termos sistêmicos e estruturais.
No entanto, não se pode negar que, no capitalismo-estatismo, a dominação
de classe coexiste com outras formas de dominação, marcadamente o
colonialismo/imperialismo, o racismo estrutural e o patriarcado, as
quais contribuíram e vêm contribuindo para a conformação e a reprodução
das classes sociais, e têm sido permanentemente marcadas pela dominação
de classe.
De maneira que, se é verdade que não há possibilidade de uma ruptura com
o capitalismo-estatismo sem um combate com foco nas classes sociais, na
luta de classes, também é verdade que, tendo o anarquismo o projeto de
acabar com todas as formas de dominação, é necessário enfrentar
concomitantemente as dominações nacionais, de raça-etnia, de
gênero-sexualidade, mas sempre por meio de uma perspectiva classista.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAKUNIN, Mikhail. Federalismo, Socialismo e Antiteologismo. São Paulo:
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* Trabalho apresentado no Primer Encuentro en Uruguay de
Historiadores/as e Investigadores/as sobre Anarquismos, de 2023
1
2 Num artigo sobre as contribuições de Malatesta para a teoria social,
sugiro que, a partir de seus escritos, é possível se conceber a análise
da sociedade capitalista-estatista desde duas direções. Uma delas,
"vertical", que discute as "relações interdependentes entre indivíduo e
sociedade, algo que explica por que o sujeito produzido nesse sistema
carrega consigo parte importante da influência das relações e
instituições do capitalismo e do Estado"; outra, "horizontal", que
discute os "três campos e das relações entre eles, ou seja, da economia
capitalista, do Estado moderno e de suas grandes instituições de
comunicação e instrução". (CORRÊA, 2022b, pp. 3-4)
3 O termo original italiano que permite a tradução como "campo" é
terreno. Cf., por exemplo: Malatesta, 1999b, pp. 175, 177. "Campo, aqui,
pode ser definido como âmbito ou espaço dedicado a certas atividades
humanas, que se estabelece a partir de relações sociais
institucionalizadas." (CORRÊA, 2022b, p. 6)
4 Numa abordagem que dialoga coerentemente com Malatesta, Bruno L. Rocha
(2009, pp. 285-286, 111) nomeia esses campos de "esfera econômica",
"esfera política-jurídica-militar", "esfera cultural/ideológica", e
argumenta haver interdependência entre elas.
5 O termo original italiano que permite a tradução como
"indissociabilidade" é indissolubilità. Cf., por exemplo: Malatesta,
1999c, p. 58.
6 Abordagens como a de López e outras, dentre as quais as minhas
próprias, abrem a possibilidade de reconhecer que o projeto anarquista
é, também, um projeto de poder. Mas que recusa a dominação e tem na
autogestão seu fundamento. (CORRÊA, 2014b, 2012)
7 Seguindo Errandonea (1989, caps. 3 e 4), considero aqui a exploração
como parte da dominação, como uma forma de dominação.
8 Forma de dominação que, em outros momentos, chamei de "alienação
cultural" e "dominação ideológica/cultural". (CORRÊA, 2019b, 2022a, p. 152)
9 Cf. esses meus textos para ver todas as referências dos escritos de
Bakunin e Malatesta que discutem essa questão.
10 Note-se que, assim como vem ocorrendo em outras classes e frações de
classes, esses "grandes produtores e difusores de crenças, conhecimentos
e informações" têm se modificado desde a produção desses clássicos
anarquistas. Em seus contextos, Bakunin (2009b, p. 60) e Malatesta
(2000, p. 9) apontaram o clero como o mais destacado representante dessa
classe. Porém, cumpre notar que, com o passar do tempo, as lideranças
católicas passaram a compartilhar cada vez mais espaço com as lideranças
protestantes e de outras expressões religiosas. Ao longo do século XX,
intelectuais-acadêmicos e grandes empresários da imprensa, do mundo
editorial e da educação conquistaram crescente destaque entre os
representantes dessa classe, movimento que, neste início de século XXI,
vem sendo encabeçado pelos proprietários das chamadas big techs.
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